03:42 26 Novembro 2020
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    A comandante da missão da OTAN no Iraque, major-general Jennie Carignan, afirmou que forças da OTAN ficarão no país por mais cinco anos. Esta declaração provocou reação negativa em Bagdá, que relembrou a decisão do parlamento de retirar as tropas estrangeiras do país.

    Especialistas, em entrevista à Sputnik Árabe, descreveram quais são os objetivos da OTAN no Iraque nos próximos cinco anos e por que as tropas estrangeiras não pretendem sair do país.

    Retirar ou não retirar as tropas estrangeiras?

    Considerando a decisão do parlamento iraquiano sobre a necessidade de retirar as tropas estrangeiras do território do país, a declaração da missão da OTAN no Iraque levanta questões. Como se conjugam as intenções de Bagdá com as da OTAN?

    O analista militar e estratégico iraquiano Majd al-Quaisy acredita que a posição do parlamento está clara, no entanto, existem vários problemas jurídicos, por isso a missão da OTAN no Iraque ficará lá por muitos anos.

    "É que a decisão do parlamento iraquiano possui exclusivamente caráter de recomendação até ser apoiada e aprovada pelo governo. Acho que o governo não conseguirá expulsar ninguém do país: a presença das forças estrangeiras no Iraque desde 2014 é baseada no acordo entre os governos do Iraque e dos EUA e também os países da OTAN. A assinatura do acordo ocorreu sob a égide da ONU. Então, a OTAN tem todas as razões para dizer que a missão ficará no Iraque por mais uns anos", comentou.

    Especialistas da OTAN treinaram mais de 200 mil militares iraquianos nos últimos seis anos e Bagdá ainda precisa de seus serviços, de acordo com as palavras do analista.

    "É preciso de distinguir o contingente norte-americano para combater os terroristas do Daesh e o contingente das forças da OTAN. Eles têm funções diferentes, e Bagdá não teve nem tem reclamações acerca do último", acrescentou.

    O problema é a 'falta de firmeza' do governo

    No entanto, o ex-diplomata iraquiano e secretário-geral do partido Vanguarda de Nasser, Abdel Sattar al-Jumaily, tem outra opinião. O problema principal é a falta de firmeza do governo iraquiano que não é capaz de dizer "não" nem aos EUA, nem à OTAN, segundo especialista.

    "A ocupação norte-americana, a ingerência iraniana e turca nos assuntos internos do Iraque fizeram seu trabalho: o governo perdeu completamente a autonomia, nem mesmo consegue criar uma estratégia para cumprir os interesses nacionais. Nem o parlamento, nem o governo são capazes hoje de tomar a decisão se as forças da OTAN ficarão no país. Por isso, tudo será decidido exclusivamente da maneira que seja vantajosa para Washington. Temo que se o sistema político do Iraque não continue se desenvolvendo, as tropas de ocupação não sairão do país nem dentro de cinco anos, nem dentro de dez", afirmou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    opinião, militares, tropas, Iraque, OTAN
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