04:23 20 Outubro 2020
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    O presidente sírio Bashar Assad respondeu a diversas perguntas feitas pela Sputnik, na semana em que as operações militares russas na Síria completam cinco anos.

    Desde 2011, a Síria tem sido palco de um conflito em grande parte alimentado por atores internacionais.

    Contudo, as tropas governamentais, sob o comando do presidente Bashar Assad, têm logrado grande sucesso na luta contra os grupos terroristas, recuperando territórios de grande importância.

    O sucesso sírio, além de ser fruto dos esforços do próprio país, é resultado do apoio concedido por militares russos, os quais iniciaram operações antiterroristas na Síria há cinco anos.

    Apesar do sucesso, em entrevista exclusiva à Sputnik, Bashar Assad acredita que o conflito ainda não chegou ao fim.

    "Enquanto os terroristas ocuparem algumas regiões de nosso país e realizarem diferentes tipos de crimes e assassinatos, a guerra não acabou. Eu acho que seus líderes intencionam fazer com que ela continue ainda por longo tempo. É o que nos parece", afirmou Assad.

    Entre altos e baixos, Assad afirmou que diversos momentos foram decisivos nessa guerra.

    "Agora já se passaram quase 10 anos desde o início da guerra, e eu posso indicar alguns momentos decisivos, não só um. O primeiro aconteceu em 2016, quando começamos a libertar muitos distritos da Frente al-Nusra [organização terrorista proibida na Rússia e em outros países], em especial na parte central da Síria. Depois, em 2014, militantes do Daesh [organização terrorista proibida na Rússia e em outros países] surgiram de repente em outra área com o apoio americano, e conquistaram ao mesmo tempo uma parcela muito importante da região central da Síria e Iraque", explicou.

    Ainda segundo Assad, o surgimento do Daesh em território sírio acabou fortalecendo outros movimentos terroristas que lutavam contra o governo do país.

    "Isso foi um momento em que os terroristas começaram a tomar outros distritos, porque o Daesh conseguiu distrair o Exército da Síria do cumprimento de sua missão de libertação da região ocidental do país. Após isso, uma outra reviravolta foi a chegada dos russos à Síria em 2015, e juntos começamos a libertar um grande número de distritos."

    Falando sobre o apoio russo às forças governamentais sírias, Assad citou outro momento importante no conflito:

    "Nessa etapa, depois que os russos vieram ajudar o Exército da Síria, eu referiria outro ponto de virada: a libertação da parte oriental de Aleppo. Este foi o momento a partir do qual começou a libertação de outras regiões sírias. Isso foi importante pelo significado de Aleppo, visto que esse momento se tornou o início da libertação em grande escala do território, que continuou mais tarde em Damasco e depois, há pouco tempo, na restante parte de Aleppo, e no leste e sul da Síria. Estes foram os momentos decisivos. Se juntarmos todos, eles são estrategicamente importantes, e todos eles mudaram o curso da guerra", disse Assad.

    Se livrando dos militares americanos

    Assad também afirmou que a presença de tropas americanas e turcas na Síria é ilegal, acusando o presidente turco Recep Tayyip Erdogan de apoiar os terroristas.

    "Me permita falar de forma sincera e clara. Erdogan apoia terroristas na Síria, ele apoia terroristas na Líbia, e foi o grande instigador e iniciador do conflito que começou há pouco em Nagorno-Karabakh entre a Armênia e o Azerbaijão", declarou.

    Desta forma, perguntado sobre como pretende livrar seu país da presença militar estrangeira ilegal, Bashar Assad disse:

    "Isso é uma ocupação. Nesta situação nós devemos fazer duas coisas: em primeiro lugar, livrar-nos do pretexto que eles usam para a ocupação, ou seja, os terroristas do Daesh. Grande parte do mundo sabe que o Daesh foi criado pelos americanos e é apoiado por eles. Eles os incumbem de tarefas tal como incumbem qualquer outra força americana. Temos que nos livrar desse pretexto, por isso a eliminação dos terroristas na Síria é prioritária para nós. Se os americanos e turcos não forem embora depois disso, é natural que comece a resistência popular. Esse é o único caminho. As discussões ou o direito internacional não os forçarão a sair, uma vez que esse direito não existe. Não há outros meios além da resistência, e é isso que ocorreu no Iraque. O que forçou os americanos a sairem [do Iraque] em 2007? Isso foi resultado da resistência do povo iraquiano."

    Ainda sobre as atividades dos EUA em seu país, Assad classificou os acordos de exploração de petróleo sírio entre curdos e americanos como um assalto.

    "Isso é um assalto, e a única forma de pará-lo é libertando nossos territórios. Se não fizermos isso, nenhuma medida os parará, porque eles são ladrões. Você não para um ladrão enquanto não o colocar na cadeia ou o deter de alguma forma, isolando-o da área onde pode praticar assaltos. É também assim que devemos lidar com estes ladrões. Deve-se os expulsar da região, essa é a única forma. O Estado sírio deve controlar cada pedaço da Síria, para que a situação se normalize", disse o presidente.

    Militares iranianos na Síria

    Enquanto alguns países veem como condição necessária para a recuperação da economia síria a saída das forças militares iranianas do país árabe, Assad declarou:

    "Em primeiro lugar, nós não temos forças iranianas, e isso é perfeitamente óbvio. Eles [o Irã] apoiam a Síria, enviam especialistas militares, os quais trabalham com nossas tropas em terra, estão com o Exército da Síria. Mas vamos observar um caso concreto: por volta de um ano atrás, os americanos disseram aos russos para que eles 'convencessem os iranianos a recuar 80 km da fronteira com as Colinas de Golã', ocupadas pelos israelenses. Não obstante não haver tropas iranianas lá, os iranianos foram muito flexíveis, e disseram: 'Tudo bem, não haverá pessoal iraniano a sul desta linha'. Os americanos declararam que, se houvesse um acordo sobre essa questão, eles iniciariam a retirada da parte oriental ocupada da Síria, na fronteira com o Iraque, chamada de Al-Tanf. Mas nada aconteceu, e eles [os americanos] não foram embora. Por isso, a questão do Irã é um pretexto para a ocupação do território sírio e o apoio aos terroristas", comentou Assad.

    Vacina russa

    Tendo em conta a pandemia de COVID-19 e o surgimento da vacina russa Sputnik-V, Assad respondeu à pergunta se tomaria o medicamento:

    "Claro, nas circunstâncias atuais qualquer um se vacinaria de tal vírus perigoso. Ao que sei, essa vacina ainda não está disponível no mercado internacional, mas nós planejamos discutir com as autoridades russas quando ela poderá ser fornecida à Síria. Isso é muito importante."

    Uma vez que, segundo Moscou, a vacina deverá estar disponível já em novembro para parceiros da Rússia, Assad se mostrou disposto a encomendar o imunizante.

    Contudo, a encomenda dependerá tanto da quantidade disponível quanto do número de doses necessárias na Síria, a ser definido pelos órgãos de saúde do país árabe.

    "Todos na Síria se interessam pela vacina russa e querem saber quando ela estará disponível", afirmou.

    Eleição em 2021

    A Síria se prepara para realizar a eleição presidencial em 2021. Bashar Assad respondeu sobre sua possível participação no pleito da seguinte forma:

    "Ainda é cedo para discutir isso, ainda tem alguns meses pela frente. Eu posso tomar uma decisão sobre essa questão no início do ano que vem."

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    Tags:
    conflito sírio, Turquia, terrorista, entrevista, Síria, Bashar Assad
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