05:24 31 Outubro 2020
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    O Talibã (movimento terrorista proibido na Rússia e em demais países) afirmou neste sábado (8) que mantém apenas contatos políticos com Moscou e com outros Estados da região, sem nenhum laço militar.

    Em entrevista por telefone à Sputnik, o representante oficial do gabinete político do movimento, Suhail Shaheen, disse que as armas que o movimento recebe são provenientes inclusive do Exército do Afeganistão.

    "Nosso escritório político [em Doha, capital do Qatar] mantém relações tanto com a Rússia quanto com os países vizinhos e da região. Mas apenas a nível político. Não estamos falando de relações militares e rejeitamos categoricamente tais considerações. Elas também podem fazer parte de uma campanha para quebrar o acordo de paz", ressaltou.

    "Quanto às armas que temos, nós temos estoques de armas no Afeganistão e também compramos armas da administração de Cabul – do Exército. Houve alguns relatos que desapareceram ou foram roubadas centenas de milhares de armas. Portanto, nós compramos essas armas deles. E algumas capturamos [durante os combates]. Assim, temos muita munição. E tudo isso foi recebido do governo de Cabul", explicou.

    O representante do Talibã também enfatizou o papel da Rússia na resolução afegã.

    "O papel da Rússia na regulação afegã é muito importante. Ela também desempenhou um papel importante no passado, quando sediou a reunião interafegã em Moscou, estivemos lá pela primeira vez", confirmou.

    A primeira rodada do chamado Diálogo Interafegão foi realizada em Moscou em fevereiro de 2019 com a participação do Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, na qual participaram representantes de vários partidos e movimentos afegãos, incluindo o Talibã radical. A segunda rodada do diálogo deveria ocorrer na capital do Qatar nos dias 19 e 21 de abril, mas no último momento o adiamento foi anunciado.

    Membros de uma facção dissidente dos combatentes do Talibã durante uma patrulha no distrito de Shindand na província de Herat, Afeganistão (foto de arquivo)
    © AP Photo / Allauddin Khan
    Membros de uma facção dissidente dos combatentes do Talibã durante uma patrulha no distrito de Shindand na província de Herat, Afeganistão (foto de arquivo)

    No final de fevereiro de 2020, em uma cerimônia no Qatar, os Estados Unidos e o movimento radical afegão Talibã assinaram o primeiro acordo de paz em mais de 18 anos de guerra, que prevê a retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão em 14 meses e o início de um diálogo interafegão após a conclusão de um acordo de troca de prisioneiros.

    Em meados de julho, os militares dos EUA deixaram cinco bases no Afeganistão como parte desse acordo. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, pediu no início de agosto ao conselho de anciãos afegãos (conhecido como Loya Jirga) para libertar os prisioneiros do Talibã, e assim remover o obstáculo às negociações interafegãs.

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    Tags:
    Cabul, Afeganistão, terroristas, Rússia, Talibã
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