07:56 31 Março 2020
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    A Turquia enviar tropas para a Síria para lutar contra as forças de Damasco seria "o pior dos cenários", disse o porta-voz do Kremlin após Ancara ameaçar usar a força na província de Idlib.

    Nesta quarta-feira (19), o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que se preparou para lançar uma ofensiva militar na província de Idlib, a fim de expulsar as Forças Armadas da Síria do local.

    A reação de Moscou irá depender dos objetivos de uma eventual operação turca, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

    "Se for uma operação contra terroristas em Idlib, então isso estaria dentro do espírito" dos acordos firmados entre a Rússia e a Turquia, disse Peskov.

    "Mas se for uma operação contra as Forças Armadas legítimas da Síria, esse seria, sem dúvida, o pior dos cenários", afirmou o porta-voz do Kremlin.

    Rússia e Turquia acordaram um processo de desescalada em Idlib, o último reduto de forças rebeldes na Síria. Segundo os acordos de Sochi, a Turquia deve usar sua influência sobre os grupos armados para diminuir a intensidade dos ataques a partir da província.

    O acordo foi firmado para evitar o prolongamento de uma ofensiva militar lançada por Damasco que, segundo Ancara, estava gerando um êxodo de refugiados para a Turquia.

    "Ficamos muito satisfeitos com o acordo que selamos em Sochi há mais de um ano, e a satisfação era mútua", contou Peskov. "Mas não ficamos nem um pouco satisfeitos quando grupos terroristas começaram a realizar ataques a partir de Idlib contra as Forças Armadas Sírias e contra bases militares russas."

    Negociações realizadas entre Turquia e Rússia na semana passada não geraram os resultados esperados, reportou a RT.

    Ao comentar a situação volátil na região, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, dissipou especulações de que Moscou iria impor novas condições para um acordo e disse que as partes devem "simplesmente cumprir o acordado entre os nossos líderes".

    Ele acrescentou que a operação do governo sírio em Idlib foi realizada "em resposta às violações graves dos acordos" perpetradas por grupos rebeldes.

    Membro do exército sírio dirige em vilarejos retomados ao sudeste da província de Idlib, em 25 de janeiro de 2020
    © Sputnik / Mikhail Voskresensky
    Membro do exército sírio dirige em vilarejos retomados ao sudeste da província de Idlib, em 25 de janeiro de 2020

    Damasco reagiu a ataques realizados a partir de Idlib e reconquistou dezenas de vilarejos e territórios na província na última semana. Os avanços da Síria, no entanto, geraram confrontos com forças turcas. A morte de dois soldados turcos criou grande insatisfação em Ancara.

    As Forças Armadas russas declararam que um dos incidentes poderia ter sido causado por falha da Turquia, que não teria alertado as partes sobre movimentos de seu comboio.

    Nesta quarta-feira (19), o presidente turco disse que estava preparado para lançar uma ofensiva militar em Idlib "a qualquer momento". Em discurso ao parlamento turco, Erdogan afirmou que não iria permitir que o governo sírio retomasse o controle da província síria de Idlib.

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    Tags:
    Dmitry Peskov, crise síria, Síria, Turquia
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