18:25 03 Agosto 2020
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    Organizações internacionais organizam a próxima viagem da Flotilha da Liberdade rumo a Gaza, que tentará romper o bloqueio israelense contra o território palestino, em maio deste ano. Latino-americanos se unem aos esforços da coalizão internacional.

    Coalizão internacional de ajuda humanitária irá organizar uma nova viagem da Flotilha da Liberdade rumo a Gaza. A Sputnik Mundo conversou com o médico argentino e ex-diretor dos Médicos Sem Fronteiras, Carlos Trotta, que saúda o engajamento de latino-americanos na empreitada.

    Esta será mais uma tentativa de romper o bloqueio imposto pelo Estado de Israel à faixa de Gaza, “que impede as pessoas de exportar, importar, ou mesmo de pescar”, contou o médico. Desde 2008, oito flotilhas da liberdade foram interceptadas pela Marinha israelense.

    "O objetivo é conscientizar as pessoas que Gaza vive uma crise humanitária. Se trata de uma emergência. A ONU, em 2012, já havia dito que, se o bloqueio não fosse levantado até 2020, Gaza ficaria inabitável."

    Segundo ele, é exatamente isso o que está acontecendo: "Do ponto médico, foram bombardeados hospitais, sem misericórdia, ambulâncias, pacientes e pessoal qualificado. É muito difícil realizar tratamento oncológico ou de doenças crônicas como a diabetes e hipertensão. Em alguns casos é possível transportar os pacientes para o Egito [...] mas o Egito também fecha a fronteira."

    Segundo Trotta, Gaza é, em realidade, "uma prisão a céu aberto de enormes proporções. Está fechada pelo controle estrito do espaço aéreo, por muros, por check points e, na costa, pela Marinha israelense".

    Essa crise seria particularmente grave, de acordo com o médico argentino, porque "afeta sobretudo crianças e adolescentes: cerca de 70% da população de Gaza é composta por jovens que não têm nenhum tipo de liberdade de movimento, acesso a saúde, água ou alimentos de qualidade".

    Barcos pesqueiros palestinos no porto da Cidade de Gaza, em junho de 2019, quando Israel proibiu a pesca na região
    © AP Photo / Hatem Moussa
    Barcos pesqueiros palestinos no porto da Cidade de Gaza, em junho de 2019, quando Israel proibiu a pesca na região

    A flotilha, que deve tentar romper o cerco em maio deste ano, poderá ser interceptada pela Marinha de Israel: "Todas as missões anteriores fracassaram, porque a Marinha israelense impõe represálias imediatamente."

    "O momento mais difícil foi em 2010, quando a flotilha foi atacada pela Marinha de Israel, que matou 10 pessoas, feriu 56, e deixou mais algumas com ferimentos leves. Aquilo foi um verdadeiro massacre", lamentou.

    Hoje, os riscos devem ser outros, uma vez que, segundo Trotta, a Marinha teria mudado sua abordagem desde o incidente de 2010: "Agora teremos que enfrentar o tratamento rude da Marinha israelense, que aborda todos os barcos que tentam se aproximar, os escolta para portos israelenses, aprisiona os tripulantes por tempo limitado e depois os [...] encaminha para a deportação", contou.

    Mesmo com os riscos, "os membros da flotilha têm a sensação de que algo deve ser feito para que Israel acabe com o bloqueio", declarou.

    As primeiras viagens, promovidas por organizações da sociedade civil dos EUA, Canadá, Suécia, Noruega, Espanha, entre outros países, contaram com a presença de parlamentares e do escritor sueco Henning Mankell e Mairead Corrigan Maguire, laureado com o Prêmio Nobel da Paz.

    "São pessoas de todo o mundo que, de forma pacífica, além de bandeiras políticas, questões étnicas ou de gênero, querem passar uma mensagem ao mundo", contou.

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    Tags:
    Médicos Sem fronteiras, flotilha, Gaza, Israel
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