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    Segurança afegã patrulha cidade de Ghazni na província de Cabul, Afeganistão, 12 de agosto de 2018

    Guerra do Afeganistão completa 18 anos: 'Paz é como um sonho'

    © AP Photo/ Mohammad Anwar Danishyar
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    A Guerra do Afeganistão custou a educação do engraxador de sapatos Hameedullah. A pobreza obrigou Sabir, 11, a fugir de casa e vender frutas secas nas ruas. Niyamathullah, 9, fica em um parque procurando trabalho.

    Esta é a situação de muitas crianças no Afeganistão, que esta semana ultrapassa outra marca sombria. Na segunda-feira, o conflito completou 18 anos, o que significa que toda criança afegã agora conhece apenas a guerra.

    "A paz é como um sonho para nós no Afeganistão", diz Mohammad Mobin, um estudante de 17 anos de Cabul. "O Afeganistão só pode se desenvolver se tivermos paz".

    Em 7 de outubro de 2001, os Estados Unidos bombardearam o Afeganistão. O incidente ocorreu após os ataques de 11 de setembro, conduzidos pela Al-Qaeda e que mataram quase 3 mil pessoas nos EUA.

    O Talibã, que se recusou a entregar o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi derrubado em semanas, mas o conflito insurgente ainda persiste e tornou-se a guerra mais longa da história dos EUA.

    A violência só piorou nos últimos anos, impactando desproporcionalmente as crianças.

    "Desde que nascemos, não tivemos paz em nosso país, apenas houve brigas e conflitos", analisa Sayed Ibrahim, estudante de medicina de 18 anos em Cabul.

    A ONU publicou um relatório na semana passada dizendo que de 2015 a 2018 foram registradas mais de 14 mil violações graves contra crianças em todo o país, marcando um forte aumento em relação aos quatro anos anteriores.

    "Imagine completar 18 anos sem conhecer nada além de conflito e guerra durante toda a sua infância e anos de formação", disse Onno van Manen, diretor nacional da Save the Children no Afeganistão. "Viver no Afeganistão significa viver diariamente com medo de explosões, faltar na escola porque é muito perigoso e não saber se seus pais ou irmãos vão chegar em casa".

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    Tags:
    Estados Unidos, Afeganistão
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