19:43 10 Agosto 2020
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    Com as tensões entre o Irã e o Reino Unido aumentando, o ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, parabenizou Boris Johnson por assumir o cargo de primeiro-ministro britânico, mas advertiu a Grã-Bretanha para recuar das águas territoriais iranianas.

    As tensões entre a Grã-Bretanha e o Irã aumentaram de forma constante nas últimas semanas, começando com a captura de um petroleiro iraniano na costa de Gibraltar há duas semanas. As autoridades britânicas disseram que o petroleiro estava carregado de petróleo com destino à Síria, uma violação das sanções da União Europeia (UE).

    O Irã respondeu do mesmo modo ao confiscar um petroleiro de bandeira britânica na sexta-feira, embora Teerã tenha dito que o navio esteve envolvido em uma colisão com um barco de pesca e violou a lei marítima.

    As forças iranianas também embarcaram em um navio-tanque registrado em Glasgow, mas na Libéria, no mesmo dia, mas depois permitiram que continuasse sua viagem.

    Com Boris Johnson a caminho de assumir oficialmente as funções de primeiro-ministro nesta quarta-feira, o impasse com o Irã será seu primeiro teste de política externa. Zarif parabenizou Johnson nesta terça-feira, mas emitiu um aviso: "O Irã não busca confronto. Mas nós temos 1500 milhas de costa do golfo Pérsico. Estas são nossas águas e nós as protegeremos".

    Petroleiro Grace 1
    © REUTERS / Stringer
    Petroleiro Grace 1

    O alerta de Zarif veio um dia depois que o ministro de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jeremy Hunt - que perdeu a liderança do Partido Conservador contra Johnson - pediu a formação de uma missão de "proteção marítima liderada pela Europa" no golfo Pérsico. Essa missão não está clara, mas a declaração de Hunt ecoa o anúncio do Comando Central dos EUA de "Operação Sentinela" na semana passada - um "esforço marítimo multinacional" para proteger os navios ocidentais na região.

    "É muito, muito melhor para o Reino Unido não se envolver na implementação dos estratagemas da 'Equipe B'", prosseguiu Zarif. "A 'Equipe B' está perdendo terreno nos Estados Unidos e agora estão voltando sua atenção para o Reino Unido", acrescentou ele, sendo a "Equipe B" uma referência ao assessor de segurança nacional dos EUA, John Bolton, e ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin. Netanyahu, ambos críticos de Irã com acesso ao presidente estadunidense Donald Trump.

    Zarif frequentemente usa essa frase no Twitter, acusando os dois de tentar incitar o presidente Trump a entrar em guerra com o Irã. O próprio Trump também chamou a atenção sobre a postura de Bolton, dizendo que "John nunca viu uma guerra da qual ele não goste" em uma recente reunião do Escritório Oval.

    De volta à Grã-Bretanha, Johnson ainda não declarou como resolverá o impasse com Teerã. Um dia antes, a primeira-ministra britânica Theresa May, que está de saída e presidiu uma reunião do comitê de emergência do governo, o Cobra, apareceu no centro de notícias que circularam e afirmavam que os ministros estavam considerando congelar ativos iranianos.

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    Tags:
    petroleiros, relações bilaterais, diplomacia, Benjamin Netanyahu, John Bolton, Donald Trump, Theresa May, Boris Johnson, Mohammad Javad Zarif, Israel, Estados Unidos, Irã, Grã-Bretanha, Reino Unido
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