09:57 15 Dezembro 2019
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    A usina nuclear Bushehr no Irã

    Irã sugere inspeções nucleares mais profundas em troca de alívio de sanções dos EUA

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    O ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse que ofereceu aos EUA a possibilidade de dar à agência nuclear da ONU acesso imediato e expandido a todas as partes do programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções estadunidenses.

    Falando a repórteres em Nova York na quinta-feira, Zarif afirmou que Teerã chegou a Washington com uma oferta "substancial" que o levaria a concordar com inspeções nucleares robustas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) quatro anos do previsto.

    Essas inspeções detalhadas são previstas pelo Protocolo Adicional ao acordo nuclear de 2015, um acordo suplementar que o Irã deveria ratificar em 2023. O protocolo garante à AIEA "direitos ampliados de acesso a informações e locais", fornecendo assim "ferramentas adicionais para verificação" da conformidade do Estado com o acordo.

    Especificamente, permite que o verificador "obtenha uma visão mais completa" dos programas, estoques, planos e comércio nuclear do estado.

    A verificação do protocolo pelo parlamento iraniano, o Majlis, deveria ter coincidido com o levantamento das sanções dos EUA contra Teerã - o que é improvável que aconteça depois que os EUA se retiraram do acordo em maio passado. Apesar da saída de Washington, o Irã manteve sua parte no trato, e observou o Protocolo Adicional, embora sem ratificá-lo.

    Zarif rejeitou a noção de que a oferta era mais de natureza simbólica.

    "Não é sobre operações fotográficas. Estamos interessados ​​em substância", sentenciou.

    Chanceler do Irã Mohammad Javad Zarif
    © AP Photo / Petr David Josek
    Chanceler do Irã Mohammad Javad Zarif

    'Se eles ligarem, nós negociaremos'

    O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou repetidamente que cabe ao Irã dar o primeiro passo na reconciliação, dizendo em maio que "se eles ligarem, nós negociaremos". Mas quase ao mesmo tempo, ele soltou ameaças de "obliteração como você nunca viu antes" e "fortes sanções" - e agora que um caminho a seguir foi sugerido por Teerã, as esperanças de que Washington as considere permanecem escassas.

    Na ausência de reação oficial de Washington, autoridades norte-americanas anônimas confirmaram o fato, dizendo à Reuters que a proposta do Irã é uma manobra para assegurar o alívio de sanções enquanto, ao mesmo tempo, ainda planeja produzir uma arma nuclear.

    Em solo, a estratégia dos EUA tem sido mais consistente do que a retórica de Trump. Milhares de tropas extras, um grupo de ataque, uma bateria de mísseis e bombardeiros estratégicos foram enviados para a região, enquanto o Irã está sendo acusado de bombardear petroleiros no golfo de Omã, alegações que Teerã nega.

    Em outro surto na quinta-feira, os EUA alegaram ter derrubado um drone iraniano no estreito de Ormuz, que, de acordo com Trump, se aproximou de um navio da Marinha dos EUA. O incidente, negado pelos iranianos, veio um mês depois que o Irã abateu um drone norte-americano na mesma via navegável.

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    Tags:
    diplomacia, sanções, armas nucleares, programa nuclear iraniano, acordo nuclear, Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Donald Trump, Mohammad Javad Zarif, Estados Unidos, Irã
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