20:22 18 Junho 2021
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    A lenta curva de valorização do real frente ao dólar deve permanecer nos próximos meses, mas o cenário não está estabilizado e é preciso muita cautela, disse economista à Sputnik Brasil.

    Na quinta-feira (6) o dólar teve uma forte queda e fechou no menor nível desde meados de janeiro. A moeda fechou o dia vendida a R$ 5,279, recuo de 1,62%, ou R$ 0,087. Na sexta-feira (7), o dólar sofreu outra queda, dessa vez mais suave, encerrando o pregão a R$ 5,228, recuo de 0,93%. 

    É o menor valor desde 14 de janeiro. A moeda norte-americana acumula queda de 2,8% em maio, com alta de 1,73% em 2021. 

    Para a economista Juliana Inhasz, coordenadora do curso de graduação em economia do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), a tendência de queda deve se manter, mas a taxa de câmbio é "muito sensível a qualquer operação, seja interna ou seja externa", o que pode reverter o quadro atual. 

    "Se a gente considerar o jeito como a economia brasileira está hoje, como o resto do mundo está hoje, a gente de fato tem motivos para acreditar que essa taxa permanecerá em queda. Não uma queda muito acelerada, uma queda lenta. Mas, mantendo muita cautela de que a gente comece a ter acelerações da pandemia aqui, ou piora do ambiente econômico por conta de reflexos da pandemia", afirmou a especialista.

    Aumento da Selic

    Segundo Inhasz, a mudança no clima econômico brasileiro é resultado, entre outros fatores, do aumento da taxa básica de juros promovida pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). 

    Após atingir mínimos históricos, o colegiado aumentou os juros para 3,5% na quarta-feira (5). A sinalização de que o Banco Central aumentará a taxa novamente, em 0,75%, na próxima reunião do Copom, foi apontada como um dos motivos para a forte queda do dólar no dia seguinte. A decisão elevaria os juros básicos de 3,5% para 4,25%. 

    De acordo com a economista, o aumento da taxa torna o Brasil mais competitivo para atrair investimentos estrangeiros, o que também acaba se refletindo no câmbio. 

    "Quando a gente olha o que aconteceu no Brasil nos últimos tempos, a gente percebe que o Brasil não cresceu, que a situação econômica se deteriorou bastante, e para acrescentar um elemento novo, a gente também reduziu a taxa de juros de uma maneira significativa, o que fez com que o Brasil perdesse muito da competitividade que tinha frente aos países que são parecidos com a gente. O Brasil ficou menos competitivo, ficou menos atraente", disse a economista.  

    Expulsão do capital

    A especialista diz que "a queda na taxa de juros fez com que a gente tivesse uma expulsão", "empurrando o capital externo para fora". 

    "Muita gente tinha capital aqui e percebeu que era mais vantajoso investir fora. Então a gente também viu um aumento da taxa de câmbio nos últimos tempos", avaliou a economista. 

    Agora, segundo a professora, o investidor percebe uma correção de rumos e volta, aos poucos, a buscar o Brasil como destino. 

    "O ideal é que a gente consiga aliar essa nova política monetária a reformas e ajustes econômicos que consigam garantir que esse capital vai ter motivos para ficar aqui", afirmou Juliana Inhasz.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Copom, Banco Central, Juliana Inhasz, economia, juros, dólar, real
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