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    Brasil enfrentando COVID-19 no início de maio de 2021 (52)
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    O real está em queda nas agências de câmbio desde o início de 2020 – e, segundo o economista Pedro Raffy Vartanian, a pandemia não é um fator que explica a desvalorização.

    Em entrevista à Sputnik Brasil nesta terça-feira (4), Vartanian, que é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em câmbio e finanças, afirma que a principal explicação para a depreciação do real frente ao dólar é a não concretização das reformas Administrativa e Tributária.

    "Essa dificuldade de avançar com as reformas aumentou a desconfiança em relação à economia brasileira, especialmente em relação à sustentabilidade da dívida no futuro, e provocou uma forte desvalorização do real", diz o economista.

    A recente queda do real começou no início de 2020 – ou seja, antes da pandemia. No dia 1º de janeiro do ano passado, o dólar norte-americano fechou a bolsa a R$ 4,01. Dois meses depois, em 1º de março – ainda antes do início da pandemia no Brasil – o valor do dólar já era de R$4,47. Hoje, um ano e quatro meses depois, um dólar equivale a R$ 5,44.

    Segundo Vartanian, o real se manteve estável até o fim de 2019 porque, até então, o governo federal dava mostras de que a economia brasileira era sustentável, conseguiria equilibrar a dívida fiscal e honrar com suas contas no futuro – muito graças à reforma da Previdência. A sinalização no início de 2020 de que as reformas Tributária e Administrativa teriam dificuldades para caminhar desestabilizou a moeda nacional.

    "A taxa de câmbio tem como característica a volatilidade. Em certos períodos observamos a desvalorização, em outros uma forte valorização. É muito difícil prever", avalia Vartanian.
    Texto da reforma da Previdência é apresentado no Congresso Nacional
    Luis Macedo / Agência Brasil
    Texto da reforma da Previdência é apresentado no Congresso Nacional

    'O que se esperava eram as demais reformas', diz economista

    Desde o início da pandemia, o Brasil já teve quatro ministros da Saúde: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga. Em muitos momentos, não houve unidade de discurso entre a pasta e o presidente da República.

    Pazuello, por exemplo, foi desmentido por Jair Bolsonaro sobre a compra da CoronaVac via Facebook, enquanto Mandetta discordou do presidente sobre medidas de enfrentamento ao coronavírus. Apesar de fatos como este terem prejudicado a imagem do Brasil no exterior, Vartanian explica que, "em termos econômicos, isso não foi um fator significativo na depreciação do real".

    "O Brasil tem tanto déficit quanto dívida em patamares elevados. O que se esperava eram as demais reformas", afirma o economista.
    Em Brasília, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fala durante cerimônia de lançamento de um programa de expansão do acesso ao crédito, em 19 de agosto de 2020
    © REUTERS / Adriano Machado
    Em Brasília, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fala durante cerimônia de lançamento de um programa de expansão do acesso ao crédito, em 19 de agosto de 2020

    Vartanian explica que dois conjuntos de fatores vão influenciar o futuro da economia brasileira: o de medidas internas e o da economia mundial. Caso a vacinação no Brasil siga o atual ritmo – que não é o ideal, mas mesmo assim está à frente de diversos países – há uma chance de a economia se recuperar de uma maneira acelerada. O aumento da taxa de juros brasileira em relação ao resto do mundo pode atrair o capital especulativo e, assim ajudar a valorizar o real.

    "Por outro lado, se a economia não se recuperar ou se a recuperação for muito lenta e se, aliado a isso, houver indícios de inflação que aumente a taxa de juros nos EUA, a tendência é que o real continue se desvalorizando em relação ao dólar", finaliza Vartanian.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Brasil enfrentando COVID-19 no início de maio de 2021 (52)

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    Tags:
    real, dólar, câmbio, COVID-19, reforma tributária, reforma administrativa, Reforma da Previdência, Paulo Guedes, economia, pandemia, Jair Bolsonaro
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