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    Coronavírus no mundo em meados de agosto (58)
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    Em maio, Donald Trump anunciou a Operação Warp Speed (Velocidade Dobrada), que visa garantir que os EUA sejam o primeiro país a obter a vacina contra a COVID-19 e recebam o maior número de imunizações.

    Os EUA têm financiado várias empresas farmacêuticas em troca de um compromisso de "reservar" o maior número possível de doses para os norte-americanos, caso tenham sucesso no desenvolvimento da vacina, uma ação chamada Operação Warp Speed (Velocidade Dobrada), anunciada em maio pelo presidente norte-americano Donald Trump.

    Esta ação preocupa vários especialistas, que temem que outros países, especialmente os mais pobres, não tenham acesso à vacina, pois é impossível competir com o dinheiro oferecido por Washington.

    No caso da América Latina, vários países, que em tempos recentes demonstraram maior afinidade com os EUA, viraram a página e estão abrindo negociações com a Rússia e a China para acessar suas versões do medicamento. Exemplos disso são Brasil, Chile, Colômbia e Equador.

    "A posição americana de acumular vacinas impulsiona os países latino-americanos a se abrirem para a Rússia e a China. É por isso que alguns países estão procurando outras alternativas", explicou o sociólogo colombiano Javier Calderón, pesquisador da Universidade de Buenos Aires, Argentina, à Sputnik Mundo.

    Na mesma linha, o presidente do Parlamento do Mercosul (Parlasul), o argentino Oscar Laborde, afirmou à Sputnik que "cada país está tentando se conectar com aquele que lhe convém".

    "A verdade é que a atitude dos Estados Unidos faz os países latino-americanos sentirem empatia e proximidade com a China e a Rússia", concluiu Laborde.

    Operação Warp Speed

    A Operação Warp Speed visa dar aos EUA acesso a cerca de 300 milhões de doses de vacinas.

    Washington anunciou que selecionaria 14 projetos de desenvolvimento de medicamentos para esta operação.

    Por exemplo, a empresa Johnson & Johnson recebeu cerca US$ 456 milhões (R$ 2,53 bilhões) do governo norte-americano, a Moderna Therapeutics obteve US$ 500 milhões (R$ 2,78 bilhões), e a empresa britânica AstraZeneca chegou a um acordo para US$ 1,2 bilhão (R$ 6,67 bilhões).

    Além disso, os EUA concordaram em pagar US$ 1,6 bilhão (R$ 8,89 bilhões) à Novavax em troca de 100 milhões de doses de sua vacina, e pagarão um total US$ 1,95 bilhão (R$ 10,83 bilhões) à Pfizer e à empresa alemã de biotecnologia BioNTech em troca de 100 milhões de doses.

    Acordos

    Enquanto isso, mais de 20 países, incluindo Brasil e México, expressaram interesse em adquirir a vacina russa Sputnik V contra o novo coronavirus, revelou Denis Logunov, vice-diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, com sede em Moscou, à Sputnik.

    Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, São Paulo, anunciou em 11 de agosto que o Brasil poderia começar a imunizar a população contra a COVID-19 com a droga desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em janeiro de 2021.

    O presidente mexicano Andrés Manuel Lopez Obrador disse que estaria disposto a testar ele mesmo a vacina russa.

    Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, participa de uma coletiva de imprensa no Palácio Nacional na Cidade do México, México, 18 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Henry Romero
    Presidente do México, Lópes Obrador

    Autoridades da Nicarágua, Guatemala, Bolívia, Argentina, Colômbia, Paraguai e Peru também demonstraram interesse na Sputnik V.

    Interesse comercial

    Por outro lado, Calderón disse à Sputnik que a abertura da América Latina para Rússia e China também é de natureza comercial.

    "A vacina chinesa será gratuita para os países do Terceiro Mundo, e a Rússia anunciou um preço bastante acessível. Esta situação é muito diferente da proposta de vacina dos EUA, que custará US$ 50 [R$ 277,90] em duas doses. Por ser uma vacina que deve ser dada a toda a população, implica muito dinheiro, e é por isso que os governos estão fazendo um cálculo econômico a respeito das possibilidades que os Estados Unidos podem nos oferecer", afirmou Calderón.

    O sociólogo colombiano afirma esperar que os governos latino-americanos coloquem o bem-estar do povo em primeiro lugar.

    "Espero que eles adquiram a vacina, seja a chinesa, russa ou norte-americana, que seja acessível, mas que também sirva para nos imunizar contra o vírus. Espero que os governos latino-americanos entendam que além da obsessão econômica e hegemônica de Trump está a saúde do povo", refletiu Calderón.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Equador, Chile, Mercosul, Parlasul, Sputnik Mundo, Sputnik, Rússia, Andrés Manuel López Obrador, São Paulo, Instituto Butantan, Sputnik V, Peru, Paraguai, Colômbia, Argentina, Nicarágua, Bolívia, Guatemala, Brasil, COVID-19, Donald Trump, América Latina, China, EUA
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