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    Para economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Picchetti, os problemas estruturais da economia brasileira pesaram mais para a recessão econômica no país, do que a crise externa.

    Economistas da Fundação Getulio Vargas divulgaram nesta segunda-feira (29) a informação de que o Brasil entrou em recessão no primeiro trimestre de 2020, encerrando um ciclo de fraco crescimento econômico no período entre 2017 e 2019.

    A informação é do Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), órgão ligado ao Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) e formado por oito economistas de diversas instituições.

    Sputnik Brasil conversou sobre o tema com um dos integrantes do Codace, o economista Paulo Picchetti, pesquisador da Fundação Getulio Vargas e do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/IBRE). Segundo o pesquisador, a economia brasileira já vinha demonstrando desaceleração desde o final de 2019 e no início de 2020, mesmo antes da pandemia.

    "Com a chegada da pandemia, principalmente com as medidas de distanciamento social, a partir da segunda metade de março, o nível de atividade foi muito afetado e, com isso, o primeiro trimestre do PIB já foi negativo e o segundo trimestre, apesar do número oficial ainda não ser divulgado, também será", disse Paulo Picchetti.

    O economista classificou a recessão de queda generalizada do nível de atividade de uma economia, difusa entre os vários setores e entre os vários agentes de uma economia.

    "Quando se tem uma contração do nível de atividade do produto muito grande, durante um período significativo de tempo, pelo menos alguns meses, você caracteriza um recessão", acrescentou ele.

    Picchetti destacou que a recuperação econômica, apesar de alguns sinais positivos, ainda é muito lenta. Ele adiantou que uma possível recuperação será "muito gradual, com risco de ser revertida em caso de nova onda da pandemia". Enquanto isso, o governo precisará adotar medidas para ajudar os mais atingidos.

    "O papel do governo nesta pandemia é, antes de tudo, cuidar das pessoas que foram mais duramente afetadas, principalmente aquelas que perderam o emprego ou, momentaneamente, suas fontes de renda", afirmou o entrevistado.

    O pesquisador da FGV acredita que, parcialmente, essa demanda está sendo atendida pelo auxílio emergencial e também por medidas de crédito para facilitar a vida das empresas. No entanto, alertou Picchetti, a conta virá alta.

    "Tudo isso vai criar uma conta que a sociedade brasileira vai ter que pagar no futuro e, portanto, a partir de agora, a gente tem que se preocupar, quando começar essa recuperação da economia, em tomar medidas para equilibrar o quadro fiscal da economia e, ao mesmo tempo, [realizar] estímulos que vem de privatizações e concessões para fomentar o investimento. Principalmente do setor privado. E tentar colocar a economia novamente em uma trajetória de crescimento sustentável ao longo do tempo", afirmou o interlocutor da Sputnik Brasil.

    Paulo Picchetti afirmou que a economia nacional está sentindo os efeitos da crise no mundo como um todo, mas lembrou que, mesmo antes da pandemia, muitos problemas internos não tinham sido resolvidos. Entre os principais, o entrevistado citou a falta de confiança de investidores, em função da questão fiscal, e o atraso das reformas prometidas pelo governo.

    "E com isso, ela tem um componente interno também, desfavorável durante todo esse processo. A pandemia e a crise mundial só vieram a se somar a esse componente interno. Então a gente tem esse desafio duplo agora pela frente de vencer o efeito da pandemia, mas também de resolver os problemas estruturais e conjunturais da economia brasileira dos últimos anos", concluiu.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Situação com coronavírus no Brasil no fim de junho (51)

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    Tags:
    recessão, análise, economia, Brasil, FGV
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