21:02 24 Outubro 2020
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    A China não pretende conflitos com o Vietnã, nem prejudicar suas relações com os EUA. Contudo, a expansão da presença militar americana no mar do Sul da China estaria comprometendo a segurança nacional chinesa.

    Quem o afirma em entrevista à Sputnik China foi Chen Xiangxiao, especialista do Instituto Chinês de Estudos do Mar do Sul da China, a propósito da visita de um porta-aviões norte-americano ao porto vietnamita de Danang.

    O porta-aviões USS Theodore Roosevelt atracou hoje, dia 5, em Da Nang, Vietnã, para uma visita de alguns dias.

    Esta visita, que é a segunda de um porta-aviões da Marinha dos EUA desde o fim da Guerra do Vietnã, depois de em 2018 o USS Carl Vinson também ter estado em Da Nang, causou incômodo às autoridades chinesas.

    Segundo Carlyle Thayer, professor universitário australiano e especialista em assuntos chineses, citado pelo portal Stars and Stripes, a visita do Theodore Roosevelt não significa necessariamente uma mudança de posição do Vietnã, mas não deixa de dar a entender que "os EUA pretendem fortalecer sua posição no Pacífico Ocidental e no mar do Sul da China" e que a presença norte-americana convém ao Vietnã.

    Destróier USS Wayne E. Meyer, da classe Arleigh Burke, no mar do Sul da China (foto de arquivo)
    © REUTERS / Danny Kelley/Cortesia da Marinha dos EUA
    Destróier USS Wayne E. Meyer, da classe Arleigh Burke, no mar do Sul da China (foto de arquivo)

    Ge Hongliang, diretor do Centro de Segurança Marítima China-ASEAN do Instituto de Nacionalidades de Guangxi, afirmou à Sputnik que dificilmente se poderá dizer que o Vietnã e os EUA confiam totalmente um no outro na esfera militar e política.

    Mas, assinala o especialista, o Vietnã "quer aproveitar a presença e a influência dos EUA para manter o equilíbrio de poder que lhe convém na região" e que "a política estratégica do Vietnã para o Índico e Pacífico é semelhante, podemos mesmo dizer idêntica, às posições dos EUA e do Japão".

    Para o especialista Cheng Xiangmiao, a visita do porta-aviões americano a Da Nang pode ser vista como um plano para combater a China. "O Vietnã está claramente tentando se aproveitar da diplomacia de força dos EUA para equilibrar a influência sempre crescente de Pequim no mar do Sul da China".

    "A expansão da presença militar dos EUA é preocupante para a China, pois compromete seus interesses de segurança nacional", alertou Chen Xiangmiao, reiterando ser do interesse chinês manter boas relações de vizinhança com o Vietnã.

    "Mas a contínua expansão da presença militar americana no mar do Sul da China desafia, sem dúvida, os interesses da China e ameaça a sua segurança nacional", pelo que haverá naturalmente uma resposta à altura da China, que forçosamente passará por fortalecer sua marinha.

    Viktor Litovkin, analista militar russo e coronel na reserva, afirmou à Sputnik que não vê nervosismo da parte dos chineses, para quem esta visita é antes de mais uma provocação.

    "A liderança da China responderá com calma, mas tirará as devidas conclusões. Está desenvolvendo sua marinha, incluindo sua frota de porta-aviões, fortalecendo as relações com a Rússia, realizando exercícios conjuntos com a frota russa do Pacífico e demonstrando seu poder naval no mar do Sul da China, no mar Amarelo, no mar da China Oriental e no oceano Pacífico", concluiu Litovkin.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    porta-aviões, Mar do Sul da China, Vietnã, EUA, China
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