05:25 11 Agosto 2020
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    Ao denunciar o jornalista Glenn Greenwald, o Ministério Público Federal (MPF) tenta intimidar e cercear a prática do jornalismo, afirma Maria José Braga, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

    Editor da agência de notícias The Intercept Brasil e um dos responsáveis pelas reportagens que publicaram conversas telefônicas de membros da Lava Jato, Greenwald foi denunciado pelo procurador Wellington Divino Marques de Oliveira por supostamente ter participado da invasão de telefones de autoridades. 

    O escândalo foi batizado de Vaza Jato e mostrou os procuradores da Lava Jato em conversas questionadas por juristas com o então juiz do caso, o hoje ministro Sergio Moro

    "Na avaliação da FENAJ, a denúncia que um procurador da República do Distrito Federal faz contra o jornalista Glenn Greenwald é uma tentativa de intimidação ao jornalista e uma tentativa de cerceamento ao livre exercício do jornalismo no Brasil. Nossa expectativa é que a categoria profissional e os veículos de comunicação não se deixem intimidar. Não é a primeira vez que temos medidas legais contra jornalistas", diz Braga à Sputnik Brasil. 

    A presidente da Fenaj diz que, embora as mensagens publicadas possam ter sido obtidas de maneira criminosa, o jornalista do Intercept não cometeu crime ao divulgá-las: "Por dever ético, qualquer profissional [do jornalismo] tem a obrigação de verificar a autenticidade e a veracidade das informações que recebe. Mas não dever ético de verificar se a obtenção desse material foi ilegal ou não."

    A própria Lava Jato utilizou de vazamentos de processos sigilosos à imprensa para alavancar o alcance da operação. A estratégia foi explicitada por Moro no início de sua carreira na magistratura, no ano de 2004, em artigo sobre a Operação Mãos Limpas. No texto, Moro disse que a divulgação das informações pela imprensa durante a operação italiana contra a corrupção serviu a um "propósito útil". 

    Contudo, Braga avalia que os vazamentos da Lava Jato e de Greenwald diferem radicalmente já que os primeiros têm obrigação de "manter o sigilo", enquanto o dever do jornalista é publicar o material de interesse público que tiver.

    A presidente da Fenaj também ressalta que há uma "institucionalização das agressões a jornalistas e à liberdade de imprensa por meio da Presidência da República" por conta do comportamento de Bolsonaro.

    O Presidente da República já afirmou que Greenwald seria um "malandro" e que ele deveria ser preso. 

    Levantamento da Fenaj catalogou 208 ataques a veículos de comunicação e a jornalistas em 2018. Bolsonaro foi responsável por 121 desses casos, 58% do total. 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Glenn Greenwald, jornalismo, Jair Bolsonaro, MPF
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