06:08 04 Agosto 2020
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    Nesta quinta-feira (13), o Pentágono confirmou teste com míssil balístico de alcance intermediário proibido pelo acordo INF. De acordo com analista, teste indica que EUA desenvolviam mísseis proibidos muito antes de se retirarem unilateralmente do tratado, no início deste ano.

    Os EUA realizaram teste com míssil balístico de médio alcance de lançamento terrestre, categoria proibida pelo Tratado INF.

    "O Departamento de Defesa realizou testes de voo de um míssil balístico não nuclear em terra por volta das 8h30 no horário da costa do Pacífico [cerca de 13h30 no horário de Brasília], hoje, 12 de dezembro de 2019, a partir da Base da Força Aérea de Vandenberg, na Califórnia. Procedemos com a avaliação dos  resultados", informou o representante da base.

    Mais tarde, o Secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, declarou que os testes foram realizados com sucesso.

    De acordo o analista militar Andrei Koshnik da Universidade Plekhanov de Economia, o lançamento demonstra claramente a política de "duas caras" conduzida por Washington.

    "Os Estados Unidos se esforçam para desenvolver mísseis de curto e médio alcance o mais rápido possível, e não se importam de ter iniciado esse projeto enquanto o Tratado INF ainda estava em vigor. Esta é a política de 'duas caras' dos EUA: eles não estavam cumprindo com as diretivas do acordo que assinaram internacionalmente", declarou Koshnik. 

    Apesar disso, os EUA teriam apontado a Rússia como responsável pelo fim do tratado, alegando que Moscou realizava testes e desenvolvia mísseis nucleares de curto e médio alcance, em suposta violação ao documento.

    Teste de míssil de cruzeiro realizado em 18 de agosto na ilha de San Nicolas, na Califórnia, EUA
    © AP Photo / Scott Howe
    Teste de míssil de cruzeiro realizado em 18 de agosto na ilha de San Nicolas, na Califórnia, EUA

    Para ele, o fim do Acordo INF, que proibia a mobilização de mísseis nucleares de curto e médio alcance por parte dos EUA e da Rússia, irá colocar em risco a segurança europeia.

    "Podemos esperar que os EUA mobilizem mísseis de médio alcance na Europa, o que preocupa muito os europeus", notou o especialista.

    O analista lembrou que a Rússia deve calcular qual a sua reação à nova conjuntura, que abre caminho para a mobilização desse tipo de mísseis no teatro europeu.

    "A Rússia terá que tomar as medidas adequadas para neutralizar essa ameaça", concluiu o especialista ouvido pelo serviço russo da Rádio Sputnik.

    Nesta sexta-feira (13), o Ministério das Relações Exteriores da Rússia demonstrou preocupação com a realização dos testes.

    O diretor do Departamento de Não Proliferação e Controle de Armas da chancelaria russa, Vladimir Ermako, notou que os EUA realizaram testes poucos meses após se retirarem unilateralmente do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF. Para ele, isso demonstraria que o desenvolvimento do míssil já estava em andamento muito antes da saída dos EUA do acordo.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Pentágono, teste de mísseis, Tratado INF, Rússia, EUA
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