02:27 11 Dezembro 2019
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    Jair Bolsonaro e o presidente da China, Xi Jinping, posam para foto durante encontro do G20, em Osaka.

    Disputa pelo 5G no Brasil: EUA fazem 'ameaças' e China oferece 'presentes'

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    O seu celular é um dos centros de uma disputa geopolítica mundial. As redes 5G são a discussão do momento em uma disputa pelo mercado brasileiro travada pela China e os Estados Unidos.

    Com velocidades mais rápidas que as atuais tecnologia de conexão, o 5G também será vital para novos elementos da cidade, como carros autônomos e drones. A companhia chinesa Huawei, a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia são os principais atores desse florescente mercado. 

    Washington, todavia, não enxerga com bons olhos a Huawei e acusa a empresa de ser uma ferramenta de espionagem de Pequim. A disputa envolve a prisão de uma diretora da empresa no Canadá, após pedido dos Estados Unidos. Meng Wanzhou é filha do fundador da Huawei, Ren Zhengfei, e foi detida em Vancouver em dezembro de 2018 sob a acusação de driblar sanções de Washington contra o Irã. Ela foi solta após pagar fiança, mas segue em prisão domiciliar no Canadá e os Estados Unidos pedem sua extradição. 

    Pequim rejeita as acusações dos Estados Unidos e diz que há um abuso do "conceito de segurança nacional" e uma "politização de questões econômicas e comerciais"

    O país governado por Donald Trump pressiona seus aliados a não adotarem tecnologia da Huawei. Austrália, Nova Zelândia e Japão decidiram banir a companhia, enquanto a União Europeia apontou em relatório que os países devem se precaver contra ameaças cibernéticas, mas não citou ou proibiu explicitamente a Huawei. 

    O Brasil também é palco da disputa e terá um leilão para definir a construção de sua rede 5G em 2020. Em visita ao Brasil em agosto, o secretário do comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, afirmou ter compartilhado com as autoridades brasileiras informações sobre os riscos de segurança da Huawei. E o presidente Jair Bolsonaro recebeu nesta segunda-feira (18) o presidente da Huawei no Brasil, Yao Wei, no Palácio do Planalto.

    "A melhor oferta a gente vai... a gente vai olhar para o lado do que, da oferta, né?", disse Bolsonaro após a agenda, segundo a Folha de S. Paulo.

    Quem falou mais detalhadamente sobre a participação da Huawei foi o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). "A Huawei vem sendo acusada de repassar os dados que ela tem ao governo chinês. Conversei com ele [presidente-executivo da Huawei, Ren Zhengfei] que tem que criar um clima de confiança. Enquanto houver esse clima de confiança não tem problema nenhum. O Brasil não tem nenhum plano disso [barrar a companhia]", disse Mourão, informa o G1. 

    As estratégias de Pequim e Washington 

    "Os Estados Unidos mais tem feito ameaças contra o Brasil de possíveis punições ou sanções em função de uma aproximação com a China. Enquanto a China, de outro lado, vem com os presentes", diz à Sputnik Brasil o professor da ESPM Alexandre Uehara. 

    Estudioso da Ásia e coordenador do Centro Brasileiro de Estudos de Negócios Internacionais e Diplomacia Corporativa da ESPM, Uehara acredita que Bolsonaro está mais "aberto" ao comércio com Pequim do que no começo de seu mandato e que os argumentos de Pequim são mais "sedutores".

    A Huawei já está no Brasil há 20 anos e tem mais de 188 mil funcionários em todo o mundo, diz a companhia em seu relatório aos investidores de 2018. A empresa tem unidades em Manaus e Sorobaca e estuda abrir uma fábrica em São Paulo. 

    Para além da empresa da gigante de telecomunicações, a China já é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e azeitou laços comerciais com iniciativas brasileiras durante a Cúpula do BRICS realizada em Brasília. Além disso, estatais chinesas impediram que recente leilão de campos de pré-sal terminassem com participação única da Petrobras. 

    "Há uma estimativa de que as empresas americanas não estariam em pé de igualdade para concorrer com as chinesas, com a Huawei em particular, então por isso a resistência, não é só uma questão política e de segurança em relação aos dados que podem ser captados pela Huawei, caso seja feita a utilização de tecnologia 5G dos chineses, mas porque existe um mercado fantástico, não só no Brasil, mas no mundo", diz Uehara.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    5G, Huawei, Jair Bolsonaro, Brasil, China
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