00:29 19 Agosto 2019
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    Homem tira fotografia do quebra-gelo chinês Xuelong (Dragão de Neve)

    China planeja construir quebra-gelo 'do século XXII'

    © AFP 2019 / STR
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    A China está abordando seriamente a questão da investigação nas regiões do Ártico e da Antártica, considera o especialista Vyacheslav Martyanov.

    De acordo com ele, os chineses têm muito dinheiro e o gastam sabiamente, investindo na ciência mais avançada.

    "Aquilo que eles tencionam construir, aquilo que eles apresentaram como projeto, será realmente um navio de investigação fantástico. Eu vi esse projeto, a maquete exibida, ele será um navio do século XXI ou mesmo do século XXII. Se ele [quebra-gelo] for construído de acordo com o projeto, esse será o navio de investigação mais avançado do mundo por seu equipamento entre os que andam na Antártida", disse Martyanov.

    O especialista explicou que até à data o quebra-gelo que está em projeto não tem análogos no que se refere às suas capacidades científicas, ao seu equipamento para pesquisa em oceanologia e monitoramento do meio ambiente.

    O explorador polar esteve presente na cerimônia de lançamento à água do navio Xuelong 2, que foi realizada no dia 10 de setembro de 2018 em Xangai.

    O quebra-gelo chinês Xuelong 2, tendo em conta seu tamanho e caraterísticas técnicas, pode ser comparado com o navio russo Akademik Tryoshnikov, que foi construído em São Petersburgo e lançado à água em março de 2011.

    A embarcação chinesa tem 122,5 metros de comprimento, 22,3 metros de boca e quase 14 mil toneladas de deslocamento, ela poderá realizar pesquisas geológicas e biológicas nas regiões ártica e Antártida.

    O quebra-gelo russo tem mais 10 metros de comprimento, os dois têm quase a mesma boca, o Xuelong 2 tem autonomia de 60 dias, enquanto o quebra-gelo Akademik Tryoshnikov tem capacidade para 45 dias de navegação.


    Pan Kehou, secretário cientifico do laboratório experimental de oceanografia e equipamento oceanográfico de Qingdao, disse em entrevista à Sputnik China que a entrada em serviço do quebra-gelo Xuelong 2 significa um avanço tecnológico nas investigações chinesas na região do Ártico.

    "O tempo de serviço do primeiro quebra-gelo chinês está praticamente chegando ao fim, por isso, para continuação das expedições ao Polo Sul é necessário um quebra-gelo novo. O Xuelong 2 possui melhores caraterísticas técnicas, o que permitirá que as expedições cientificas sejam mais bem-sucedidas", destacou Pan Kehou.

    O coordenador do centro de investigação do ártico da Universidade de Oceanografia da China, Guo Peiquing, destacou em entrevista à Sputnik que o aumento da frota ártica da China permitirá ampliar a variedade das diferentes investigações cientificas polares.

    "China é uma grande potência em investigação polar. No Polo Sul só havia um quebra-gelo, o Xuelong, ele navega tanto ao Polo Sul como ao Polo Norte. O programa era muito intenso, não havia tempo para descanso, a tripulação queixava-se e o navio necessitava de reparação, não havia tempo suficiente para isso. Por isso construímos um quebra-gelo novo. Pessoalmente, eu penso que não é suficiente ter só o Xuelong 2 para investigação do Ártico. A China precisa mais quebra-gelos para investigação cientifica", salientou Guo Peiquing.

    Membros da Equipe de Pesquisa Antártica Chinesa navegando rumo ao continente a bordo do navio de expedição polar Xuelong.
    © AP Photo / Zhang Zongtang/Xinhua News Agency
    Membros da Equipe de Pesquisa Antártica Chinesa navegando rumo ao continente a bordo do navio de expedição polar Xuelong.

    A China pode se tornar no futuro a principal potência na área da construção de quebra-gelos, disse em entrevista o chefe do centro russo-chinês de pesquisa científica do Ártico, Konstantin Roginski.

    A próxima tarefa da China é a construção de um quebra-gelo nuclear, e as companhias chinesas estão interessadas na cooperação com a Rússia para o futuro desenvolvimento da indústria de construção de quebra-gelos, destacou Roginski.

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    Tags:
    investigação, tecnologias modernas, Rússia, China, quebra-gelo
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