07:20 14 Dezembro 2019
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    Os bombardeiros B-1B Lancer dos EUA

    Por que Pyongyang ainda não retaliou pelo voo de aviões dos EUA perto de sua fronteira?

    © REUTERS / Staff Sgt. Steve Thurow/ Força Aérea dos EUA
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    Pyongyang afirmou que tem o direito de derrubar bombardeiros estadunidenses que voem perto de suas fronteiras e, inclusive, fora de seu espaço aéreo. No entanto, especialistas acreditam que Pyongyang tem dificuldades em tornar suas palavras realidade.

    Dois Lanceiros B-1B das Forças Aéreas dos EUA
    © REUTERS / Tech. Sgt. Kamaile Casillas/Pacific Air Forces/DVIDS
    A declaração foi feita depois de, no sábado passado (23), bombardeiros B-1B e caças F-15 da Força Aérea dos EUA terem sobrevoado águas internacionais a leste da Coreia do Norte, aproximando-se da zona aérea desmilitarizada mais setentrional. No entanto, a Coreia do Norte não tomou nenhuma medida de retaliação em resposta à ação.

    O RT cita opiniões de vários especialistas, de acordo com os quais a Coreia do Norte simplesmente não é capaz de concretizar suas ameaças, pois seus sistemas de defesa antiaérea datam da época da Guerra Fria.

    Bruce Bennett, especialista militar do think tank Rand Corporation, opina que a falta de ação por parte de Pyongyang se deve ao fato do governo do país estar consciente da supremacia dos EUA em qualquer combate aéreo contra a velha Força Aérea da Coreia do Norte.

    "Caso os norte-coreanos tentem bloquear os F-15 enviando dezenas de seus aviões de combate, os EUA saberão o que se está passando e terão a opção de voar para longe da Coreia do Norte e se dirigir ao Japão", afirmou.

    A Coreia do Norte dispõe de cerca de 810 aviões de combate, segundo o Livro Branco do Ministério da Defesa da Coreia do Sul de 2016, escreve o RT. Mas os especialistas explicam que na maioria são aparelhos obsoletos de origem soviética ou chinesa.

    Nem derrubar nem detectar

    Não está claro, avança o RT, se a Coreia do Norte será ou não capaz de detectar alguns de modernos aviões norte-americanos, sem falar de derrubá-los.

    Os últimos aviões de combate dos EUA têm capacidades furtivas para não serem detectados, enquanto os sistemas de radares norte-coreanos não podem ser operados 24 horas por dia por causa da escassez de energia, assegura um funcionário sul-coreano, que pediu para não revelar seu nome.

    "Devido aos obstáculos das sanções e à escassez de petróleo, nem sequer tenho a certeza de que os pilotos possam voltar de uma missão", disse Park Dae-kwang, um especialista sul-coreano sobre a defesa antiaérea da Coreia do Norte.

    Esperanças "terra-ar"

    O melhor meio que a Coreia do Norte possui para derrubar um avião estadunidense talvez seja o sistema de mísseis terra-ar KN-06, que Kim Jong-un descreveu como "perfeito" em maio passado, escreve o RT.

    George Hutchinson, diretor da Revista Internacional de Estudos Coreanos e ex-oficial da Força Aérea dos EUA, explica que este sistema, sendo o mais avançado, "representa um motivo de preocupações porque está instalado em uma plataforma móvel, ou seja, pode se deslocar para melhorar sua eficácia e capacidade de sobrevivência".

    Porém, não se sabe até que ponto se pode confiar nele, já que foi posto em serviço recentemente.

    Outro sistema de mísseis, o AS-5, tem maior alcance, 250 quilômetros (face a 150 do sistema KN-06), mas está baseado em uma tecnologia antiga, que os aviões norte-americanos poderão vencer facilmente, assinala Bruce Bennett do Rand Corporation.

    De acordo com o Ministério da Defesa da Coreia do Sul, Pyongyang deslocou recentemente sistemas de mísseis terra-ar SA-5 e SA-2 para perto da fronteira entre as duas Coreias e para as suas costas leste e oeste.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    defesa antiaérea, sistema de mísseis, retaliação, voo, Ministério da Defesa da Coreia do Sul, Kim Jong-un, EUA, Coreia do Sul, Coreia do Norte
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