13:22 16 Julho 2019
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    Muçulmanos participando de uma oração em conjunto

    Muçulmanos do Brasil repudiam extremistas no país e no mundo

    © AP Photo / Alessandro Fucarini
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    As notícias de que as Forças de Segurança da Alemanha desarticularam uma célula terrorista salafista denominada A Religião Verdadeira, e de que esta organização possui um braço no Brasil, em Florianópolis, Santa Catarina, causaram grande preocupação entre os muçulmanos do país.

    Para o jornalista e economista Ali Houssein El-Zoghbi, vice-presidente da Fambras (Federação das Associações Muçulmanas do Brasil), notícias deste teor sempre provocam apreensão pelo fato de a religião islâmica ser invariavelmente vinculada às atividades de grupos extremistas.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, El-Zoghbi ressalta que o islamismo é uma religião de paz, de elevação, de amor pelo próximo e pela humanidade, e "não um meio para prática da mais sórdida violência":

    "Eu tenho dito e volto a afirmar que tudo aquilo que remete ao ódio, ao extremismo e à violência não pode ser vinculado ao islamismo e aos fiéis muçulmanos. É um grande equívoco vincular a nossa religião aos atos praticados por fanáticos terroristas. Nós temos aversão a qualquer tipo de violência. Ser muçulmano é ser dotado de sentimentos de amor, paixão, paz, misericórdia, preservação da vida e respeito pelo ser humano."

    O vice-presidente da Fambras diz ter ficado surpreso com a informação de que o grupo salafista A Religião Verdadeira, desarticulado na Alemanha, possui um braço no Brasil atuando em Florianópolis, Santa Catarina. As informações liberadas pelos órgãos de segurança da Alemanha citam a página do grupo numa rede social, informando que o seu líder, o palestino naturalizado alemão Ibrahim Abou-Nagie, esteve em julho no Brasil, participando de uma distribuição de exemplares do Alcorão nas ruas de Florianópolis.

    O Ministério do Interior da Alemanha também informou que o grupo A Religião Verdadeira, que promove uma versão ultraconservadora do Islã, "glorifica o assassinato e o terrorismo" e servia de fachada para o recrutamento de jovens para a organização terrorista autodenominada Estado Islâmico (Daesh).

    O Professor Ali Houssein El-Zoghbi diz que "saber destes fatos, para mim, foi uma verdadeira surpresa. Não tinha conhecimento da existência deste grupo, muito menos de sua atuação no Brasil. Portanto, não posso fazer juízo de valor. O que posso, sim, é revelar que o Alcorão, o Livro Sagrado dos Muçulmanos, é um livro voltado para a paz. Quanto a este termo ‘salafista’, devo dizer que ela decorre de um radical em língua árabe que significa ‘ancestral’. Originariamente, o termo salafista se refere à pessoa que segue os ensinamentos pacíficos e solidários dos seus ancestrais, mas, como várias outras palavras do idioma árabe, tem tido seu significado sequestrado e deturpado. Por exemplo, a palavra ‘jihad’, que para nós tem o sentido de elevação espiritual, tem sido apresentada como guerra com motivação religiosa. São deturpações, enfim, que nós temos a obrigação de repudiar."

    Em relação à possível existência de atividades extremistas no Brasil, por parte de pessoas que dizem seguir a religião islâmica, o Professor El-Zoghbi diz que a orientação da Fambras é clara:

    "Estas pessoas são criminosas, e quem tem conhecimento de suas atividades deve levar estas informações ao conhecimento das autoridades competentes. Nós, da Fambras, não compactuamos com nenhum tipo de atividade criminosa, muito menos terrorista, ainda mais quando seus executores se dizem vinculados à fé islâmica. Nós não os consideramos como tais, porque somos da paz".

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    Tags:
    islã, Estado Islâmico, combate ao terrorismo, paz, , islamismo, Daesh, Fambras, Santa Catarina, Florianópolis, Brasil
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