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    Aviação russa combate terrorismo na Síria (111)
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    Os sucessos da campanha aérea da Rússia na Síria parecem estar dando calafrios nas autoridades da Ucrânia, deixando-as desesperadas para tentar encontrar maneiras de reorganizar a deteriorada rede de defesa antiaérea do país.

    Os ataques aéreos russos contra o grupo terrorista Estado Islâmico, em andamento há quase 50 dias na Síria, parecem ter causado uma impressão bastante desagradável em Kiev. Na semana passada, o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional ucraniano, Aleksandr Turchinov, disse que a melhoria da defesa aérea de seu país seria uma grande prioridade para os militares no próximo ano.

    "Temos analisado os eventos que ocorrem na Síria especialmente de perto, acompanhando as operações das Forças de Defesa Aeroespacial da Rússia, a fim de poder oferecer uma forte resistência caso estas forças sejam usadas contra a Ucrânia", disse ele.

    Segundo alguns analistas, Turchinov contradisse com sua declaração as acusações não comprovadas e repetidas por autoridades ucranianas durante o último ano e meio sobre o Exército ucraniano tendo que lutar contra o "Exército russo" no leste do país.

    Comentando as palavras do oficial ucraniano em um artigo recente para o jornal Svobodnaya Pressa, por exemplo, o jornalista e analista militar Sergei Ischenko destacou que "nenhum exército contemporâneo luta sem sua própria aviação de combate – as Forças Armadas da Federação Russa inclusive”. 

    “Se a Rússia realmente tivesse se envolvido em combates na região de Donbass [Leste da Ucrânia], Turchinov não teria precisado observar como as bombas e mísseis [russos] caem sobre os militantes islâmicos na Síria; as autoridades da Ucrânia teriam bastante experiência de combate de sua própria parte para analisar", disse o analista.

    De acordo com ele, ao discutir o estado lastimável da rede de defesa aérea da Ucrânia – que, aliás, já foi considerada uma das mais fortes do mundo –, Turchinov apelou para teorias da conspiração, sugerindo que, "de fato, os responsáveis pela destruição do exército, por destruí-lo deliberadamente, coordenando o processo com a Federação Russa, levaram a uma situação em que agora temos problemas reais e sérios na defesa da fronteira russo-ucraniana, e do país como um todo".

    Deixando de lado a sugestão absurda de que a Rússia, cujas próprias Forças Armadas se viam à beira do colapso na década de 1990, poderia ter tido algum papel na corrupção e nos cortes que destruíram as defesas da Ucrânia durante o mesmo período, Ischenko sugeriu que valia a pena analisar a situação que o país enfrenta atualmente.

    Neste momento, observou o jornalista, o campo contínuo coberto por radares antimísseis que certa vez cobriu toda a Ucrânia já há tempos que não existe, tendo entrado em colapso completo na década de 2000, durante o mandato do "revolucionário" presidente Viktor Yushchenko (líder da chamada “Revolução Laranja”), enquanto as antigas instalações dos radares da era soviética iam entrando em desuso, uma a uma.

    Aliás, foi nesse período, entre 2004 e 2005, que o próprio Pyotr Poroshenko, atual chefe de Estado ucraniano, atuou como Secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, antes de ser demitido junto com outros ministros devido a acusações de corrupção.

    "Este enorme buraco, não mais observado por quaisquer operadores de radar, permite que literalmente qualquer um e qualquer coisa voe por ali," observou Ischenko. "Portanto, a estratégia de defesa aérea zonal (prontidão para repelir um inimigo em uma direção estratégica) foi abandonada em favor de uma estratégia de defesa objetiva (cobertura seletiva sobre, pelo menos, os alvos mais importantes)."

    Esta, explicou o analista, é a conclusão a que chegou o Conselho Militar do partido da Frente Popular de Arseniy Yatsenyuk (primeiro-ministro da Ucrânia), que também reconheceu em um recente relatório que as forças de defesa aérea do país foram reduzidas a "quatro brigadas anêmicas de mísseis antiaéreos e nove regimentos de mísseis antiaéreos".

    Uma das causas da rápida degradação, de acordo com o especialista, é o fato de o período de validade dos mísseis antiaéreos, produzidos em fábricas na Rússia, ter se esgotado sem que pedidos de substituições tivessem sido feitos. Além disso, é altamente improvável que a situação possa mudar em breve, dada a resistência virulenta de Kiev a qualquer forma de cooperação com Moscou, especialmente no domínio da defesa.

    Ischenko também destacou que o país tem alguns sistemas modernos, incluindo o S-300PT/PS e o S-300 V, “embora quando se trata dos foguetes para estes sistemas, exista o mesmo problema: suas validades estão se esgotando”. 

    “De acordo com algumas estimativas, apenas quatro complexos de mísseis antiaéreos podem ser mais ou menos confiantemente considerados prontos para o combate em toda a Ucrânia – um perto de Dnipropetrovsk e três perto de Kiev".

    E os problemas não param por aí. De acordo com o relatório do Conselho Militar, as forças de defesa antiaérea da Ucrânia não têm acesso a sistemas de comunicações suficientemente modernos; seus antiquados sistemas da era soviética são considerados ineficazes para as condições da guerra moderna.

    Quanto a usar a Força Aérea como um instrumento para a defesa antiaérea, Ischenko observou que esta também não é uma possibilidade, uma vez que entre as quatro brigadas de aviação tática do país, apenas cerca de 20 Su-27s e um número equivalente de MiG-29s são considerados apropriados para o voo. 

    "Quanto a quantos deles estão em condições de levar a cabo operações de combate e de retornar às suas bases – isto permanece um terrível segredo militar das Forças Armadas da Ucrânia. Assim, a Ucrânia tem um máximo de quatro dezenas de caças operacionais em suas fileiras, e isso após os 16 antigos regimentos aéreos soviéticos do 8º Exército de Defesa Aérea, ‘privatizado’ pela Ucrânia em 1992!", escreveu o analista.

    O especialista lembrou que o resto dos aviões, em sua maior parte, foi "vendido por moeda forte. Só entre 2005 e 2012, a Ucrânia, com nenhuma indústria própria de aviões de combate, exportou 231 aviões, dos quais apenas seis (3,3%) eram novos, com o restante (96,7%) tendo sido previamente operado pela Força Aérea da Ucrânia".

    Na emergência desta situação de pesadelo, o comandante da Força Aérea ucraniana Sergei Drozdov anunciou recentemente que o país tinha planos de comprar cerca de 100 caças Su-27 e MiG-29, dada a existência de infraestrutura de apoio para tais aviões.

    Ainda não está claro onde Kiev vai barganhar essas compras, uma vez que a Rússia dificilmente as venderá, e devido ao inventário dos países do antigo bloco soviético ser tanto escasso (com um máximo de 9 a 12 modelos básicos de MiGs disponíveis, de acordo com Ischenko) quanto deteriorado. Além disso, com o custo dos MiGs estimado entre 5 e 8 milhões de dólares, e com os Su-27 custando várias vezes mais, não se sabe onde o país pretende obter as centenas de milhões de dólares necessários para realizar seus planos.

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    aviões, caças, mísseis, radar, militares, Força Aérea, tropas, comunicações, sistema de defesa, defesa aérea, sistema antimísseis, sistema antiaéreo, terrorismo, ataques aéreos, forças armadas, exército, MiG-29, Su-27, S-300, Revolução Laranja, Conselho de Segurança e Defesa Nacional, Svobodnaya Pressa, Arseni Yatsenyuk, Pyotr Poroshenko, Viktor Yuschenko, Sergei Ischenko, Aleksandr Turchinov, Moscou, URSS, Donbass, Kiev, Ucrânia, Síria, Rússia
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