17:04 17 Outubro 2018
Ouvir Rádio
    Muro das Lamentações

    Palestinos podem receber direitos sobre Muro das Lamentações através da UNESCO

    © AFP 2018 / GIL COHEN-MAGEN
    Mundo
    URL curta
    885

    A UNESCO está considerando neste momento uma resolução proposta por uma série de nações árabes em nome da Palestina, que reclama o Muro das Lamentações em Jerusalém, considerado o local mais sagrado no judaísmo, como parte do complexo da Mesquita de al-Aqsa.

    A resolução “afirma que a Plaza Buraq [Muro das Lamentações] é parte integral da Mesquita de al-Aqsa/ al-Haram al-Sharif”, diz a mídia israelense, e foi proposta em nome da Palestina pela Argélia, Egito, Kuwait, Marrocos, Tunísia e Emirados Árabes Unidos. A proposta está sendo considerada pelo conselho executivo da UNESCO, que inclui representantes de 58 países. 

    A imprensa israelense também declara que a resolução busca adicionalmente reclamar a Porta de Mughrabi que também se situa no Monte de Templo para os palestinos e condena as ações de Israel na Cisjordânia, faixa de Gaza e Jerusalém que eles chamam de “capital ocupada da Palestina”.   

    A resolução também acusa o governo de Israel pela escalação de violência nos últimos meses, após uma onda de ataques de terror e a retaliação por parte das forças de segurança de Israel. Segundo a resolução, o apelo das autoridades israelenses aos cidadãos para portarem armas, resultou na intensificação da violência. 

    A diretora-geral da UNESCO Irina Bokova criticou por sua vez na terça-feira (20) as ideias que possam resultar em “mudanças do status da Cidade Velha em Jerusalém”. Ela apelou ao conselho executivo para “tomar decisões que não contribuem para o aumento de tensão no local e que encorajam o respeito pelo caráter sagrado destes locais”. 

    O Muro das Lamentações, considerado como o local mais sagrado em Jerusalém pelos judeus, é a única estrutura que permanece do Segundo Templo, destruído pelos romanos no ano 70 d.C., e fazia parte dos quatro muros erguidos pelo rei Herodes o Grande em torno do Monte do Templo.  

    O Muro fica junto à Mesquita de al-Aqsa, no Monte de Templo, e faz parte do território tomado por Israel quando ele conquistou Jerusalém Oriental durante a Guerra dos Seis Dias em 1967. 

    A Chancelaria israelense, por sua vez, ficou indignada com a resolução árabe:

    “No contexto das tentativas palestinas de fazer passar na UNESCO uma resolução que distorce a realidade e falsifica os fatos históricos em Jerusalém ao apresentar o Muro das Lamentações como um sítio santo muçulmano, O Ministério do Exterior… trabalha ativamente para impedir estes planos pérfidos”.

    Vítimas do conflito

    Lembramos que a resolução foi apresentada no meio da onda de violência que sacudiu Jerusalém e a Cisjordânia.

    De acordo com a estatística do Centro de Estudos da Questão Judaica de Jerusalém, o  conflito já levou a vida de 8 israelenses e provocou mais 201 feridos.   

    O Ministério de Saúde da Palestina declara por sua vez que 51 palestinos já foram mortos desde o início de acontecimentos. Entre as vítimas mortais estão dez crianças, o mais jovem dos quais tem 16 meses e o mais velho – 17 anos. Além disso, 1.900 pessoas sofreram ferimentos durante a dispersão e perseguição da multidão por parte da política israelense, que usou balas de borracha e de combate. 3.500 sofreram de dificuldades respiratórias na sequência do uso de gás venenoso pelas forças de segurança israelenses.

    Tags:
    vítimas, UNESCO, Irina Bokova, Jerusalém Oriental, Palestina, Israel
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik