22:08 04 Abril 2020
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    Altos funcionários dos EUA fazem declarações duras contra a empresa chinesa e colocam em dúvida parcerias com aliados que aceitarem a tecnologia 5G. Anteriormente, chanceler da China havia questionado as motivações da campanha dos EUA contra a Huawei.

    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o secretário de Defesa, Mark Esper, utilizaram a Conferência de Segurança de Munique como plataforma para elevar o tom da campanha dos EUA contra a empresa chinesa de telecomunicações Huawei, que tomou a dianteira no desenvolvimento da tecnologia 5G.

    De acordo com os altos funcionários do governo dos EUA, os equipamentos da companhia chinesa são uma ameaça à OTAN e seus aliados.

    Um dia após a empresa chinesa ser alvo de novas acusações criminais na Justiça dos EUA, em que ela é acusada de roubar propriedade intelectual de uma operadora norte-americana, a T-Mobile, Pompeo acusou a empresa de ser um "cavalo de Troia para a inteligência chinesa".

    Esper, por sua vez, qualificou a empresa de "personificação" da "estratégia nefasta" da China de infiltrar e dominar pontos críticos da infraestrutura ocidental.

    "Se nós não compreendermos essa ameaça nem agirmos para contê-la, no fim das contas ela irá comprometer a aliança militar mais bem-sucedida da história, a OTAN", declarou o secretário de Defesa em Munique.

    Aliados-chave dos EUA na Europa, como a França e o Reino Unido, declararam que não pretendem banir a Huawei de instalar redes de 5G em seus territórios, apesar de virem a impor restrições às operações da empresa.

    Secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, fala durante Conferência de Segurança de Munique, em 15 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Andreas Gebert
    Secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, fala durante Conferência de Segurança de Munique, em 15 de fevereiro de 2020

    Esper reiterou a posição da administração Trump de que a Huawei pode deixar os "nossos aliados" vulneráveis "à manipulação e espionagem", o que poderia, eventualmente, "prejudicar nossas alianças".

    Washington impôs sanções contra a empresa chinesa, que está impedida de adquirir equipamentos de telecomunicação dos EUA. A filha do dono da empresa, Meng Wanzhou, está em prisão domiciliar no Canadá, onde é acusada de violar sanções dos EUA contra o Irã.

    Campanha 'imoral'

    Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, havia acusado os EUA de investir contra a Huawei por causa do seu sucesso.

    "Não sabemos por que esse país superpoderoso está o poder de seu Estado e mobilizando seus aliados para atacar a Huawei, que é uma empresa privada. É uma empresa 100% privada. Ela tem crescido graças à sua própria diligência, sabedoria e à observância das regras de mercado", elencou.

    "Talvez a única razão seja porque a Huawei se desenvolveu bem demais", ponderou o chanceler.

    De acordo com Wang, não há "prova contundente" de que a Huawei tenha uma "porta dos fundos" que coloque em risco a "segurança dos EUA", disse, referindo-se à acusação de que o governo chinês teria uma "porta de acesso" a dados dos usuários da Huawei.

    Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, durante discurso na Conferência de Segurança de Munique, no dia 15 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Andreas Gebert
    Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, durante discurso na Conferência de Segurança de Munique, no dia 15 de fevereiro de 2020

    "A Huawei já declarou publicamente que está disposta a assinar acordos que proíbam portas dos fundos com qualquer governo ou organização. A Huawei quer ter o nome limpo e mostrar transparência", explicou.

    Os Estados Unidos adotaram uma política de contenção da expansão da empresa chinesa Huawei, que tomou a dianteira no desenvolvimento da infraestrutura para a tecnologia 5G e oferece acesso mais rápido à Internet para os consumidores.

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    Tags:
    Mike Pompeo, Conferência de Segurança de Munique, Munique, Huawei
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