11:58 24 Janeiro 2021
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    A guerra comercial com os EUA já não é uma prioridade para o país, se tornando o mercado interior a base da nova estratégia de "circulação dupla", contou o analista chinês Liu Ying em entrevista à Sputnik.

    Neste ano, a China desenvolveu um novo plano estratégico de cinco anos nas condições econômicas difíceis ligadas à pandemia do coronavírus. No primeiro trimestre, a economia do país asiático decresceu um recorde de 6,8% devido à grande parada da atividade produtiva e do comércio em meio a medidas pandêmicas drásticas tomadas pelas autoridades chinesas. No entanto, tal "sacrifício" não foi em vão. A China conseguiu conter a propagação do coronavírus melhor e mais rápido do que outros países.

    No entanto, nem todos os países demonstraram tais sucessos como a China, o que, sem dúvida, influencia a atividade econômica desses países. Uma vez que a China está integrada no comércio mundial e nas cadeias de produção, esta situação cria riscos adicionais à economia chinesa.

    Ficando em tais condições difíceis, o país asiático transformou consideravelmente sua política econômica. Ao invés de metas quantitativas, a China passou a se focar no desenvolvimento qualitativo, na política social e nas medidas de melhoramento do nível de vida real das pessoas. É exatamente nisso que consiste a mudança principal, anunciou Liu Ying, especialista do Instituto das Pesquisas Financeiras Chongyang (China), em entrevista à Sputnik.

    Comentando a nova política econômica chinesa, o especialista explicou: "Esta política prevê atingir tais objetivos como proporcionar emprego estável, o nível da vida das pessoas, a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos e da segurança energética e alimentar".

    Yuan e dólar
    © Depositphotos / Koydesign
    Yuan e dólar

    "Essas são mudanças importantíssimas, que criam alicerces para atingir um desenvolvimento econômico de alta qualidade e para criar novos pontos de crescimento em contexto de circulação dupla e de apoio mútuo entre os circuitos interior e exterior", continuou ele, se referindo à estratégia de "circulação dupla", que se baseia na produção e consumo dentro do país.

    Entretanto, o ano de 2020 demonstrou que a China deve reduzir sua dependência de fatores e mercados exteriores, procurando outros métodos para assegurar o desenvolvimento econômico. Em primeiro lugar, ainda não se sabe quanto vai demorar a epidemia em diferentes países e, consequentemente, como vai se desenvolver a economia mundial. Em segundo lugar, embora o presidente eleito Joe Biden pareça mais previsível do que seu predecessor, em Washington existe um consenso bipartidário sobre a necessidade de conter a China.

    Sendo assim, segundo a opinião de Liu Ying, o país asiático revisou suas prioridades. "Desde agosto de 2017, durante quase três anos estivemos nos focando em medidas retaliatórias na guerra comercial imposta pelos EUA contra a China. No início de 2020, seguimos otimizando e desenvolvendo a estrutura econômica interna", ressaltou ele.

    "No começo do ano, a tarefa mais importante foi lidar com a pandemia, uma vez que foi exatamente naquele tempo que a economia perdeu 6,8%. As tarefas-chave eram então a luta contra a pandemia e a recuperação do crescimento econômico. Após isso, a situação se normalizou e o PIB, cresceu nos três primeiros trimestres em 0,7% anuais, o crescimento econômico virou positivo novamente", revelou o economista.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-premiê da China, Liu He, durante cerimônia de assinatura do acordo comercial entre os dois países na Casa Branca (foto de arquivo)
    © AP Photo / Evan Vucci
    O presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-premiê da China, Liu He, durante cerimônia de assinatura do acordo comercial entre os dois países na Casa Branca (foto de arquivo)

    Além disso, o especialista diz que "a China se tornará neste ano o único país do G20 cuja economia, mesmo assim, demonstrará crescimento. Pode-se dizer que em 2020 a tarefa principal foi a recuperação de atividade empresarial e obtenção da estabilidade, transparência e eficiência das cadeias industriais e das cadeias de suprimentos", concluiu ele.

    Segundo previsões do Centro de Pesquisa Econômica e Empresarial (CEBR, na sigla em inglês) britânico, a China ultrapassará os Estados Unidos em volume da economia, se tornando o líder mundial já no ano de 2028.

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