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    Egípcios passam por um pôster mostrando o dólar americano fora de uma casa de câmbio no Cairo, Egito, 3 de novembro de 2016

    Trump ficará feliz se Putin e Xi enterrarem o dólar?

    © AP Photo / Amr Nabil
    Economia
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    Se analisar pragmaticamente o canal de emoções, caracterizado pelas tentativas de um segmento significativo da elite americana de destruir a carreira política de Donald Trump, surge uma pergunta: de onde vem essa carga emocional?

    De onde vem esse desejo insaciável de deter Trump a qualquer custo sem levar em consideração as perdas que enfrentarão o governo, sistema político e reputação internacional dos EUA? Nenhum outro presidente foi odiado pela elite americana? Claro que sim, mas nenhuma medida extraordinária foi tomada contra eles.

    De fato, os meios de comunicação, que trabalham com a "mídia de destruição" de Donald Trump, não escondem nada. O presidente americano é acusado de estar preparando "assassinato deliberado" do dólar americano, e se antes havia suspeitas de que Trump estaria assumindo riscos, que podem degradar a moeda americana, agora a posição mudou: ele é acusado deliberadamente de estar preparando o crime, e autores mais ousados até apontam cúmplices: Vladimir Putin e Xi Jinping, presidentes russo e chinês, respectivamente.

    Um colunista da Reuters diz que "o isolacionismo americano causa dúvidas sobre o status do dólar como uma moeda de reserva mundial". Ao mesmo tempo, o "isolacionismo americano", neste caso, é simplesmente um eufemismo para expressar "a política do atual presidente dos EUA". É estranho, que uma das principais mídias dominantes do planeta fale sobre os riscos enfrentados pela moeda americana nos mesmos termos em que as autoridades russas usam para indicar o dólar como arma política.

    A revista Forbes vai ainda mais além e publica uma coluna de Charles Wallace com uma interessante mensagem: "O ministro das Relações Exteriores da Rússia disse que os países que enfrentam sanções, ou seja, Irã, Turquia e Rússia, podem começar a usar suas próprias moedas no mercado internacional, insinuando que os dias do dólar como moeda de reserva internacional estão contados. Muito provavelmente, ninguém ficará mais feliz com isso do que o presidente Donald Trump."

    A lógica desta acusação é baseada nas palavras e ações do próprio Trump. Ele tem uma visão muito pouco ortodoxa do comércio internacional e das relações entre os países. De acordo com sua interpretação da realidade, há apenas duas categorias de países no sistema de comércio internacional: perdedores e vencedores. Perdedores são aqueles que compram bens e serviços de outras pessoas em quantidades maiores do que produzem e, consequentemente, têm uma balança comercial negativa. Os vencedores são aqueles que produzem os mesmos bens e serviços que são maciçamente comprados pelos perdedores. Dentro desta descrição, EUA, Espanha ou Grécia seriam perdedores, e China, Alemanha ou Rússia — vencedoras.

    Para evitar o cenário apocalíptico que o presidente dos EUA e seus assessores na estratégia econômica repetidamente mencionaram durante a campanha eleitoral, é necessário, pelo menos, assegurar que todas as importações para os Estados Unidos sejam muito caras, e que seja barata qualquer exportação dos Estados Unidos. É daí que surge uma guerra comercial com o mundo, as tarifas sobre bens chineses e os conflitos com a União Europeia, Canadá e México. Além das acusações da China, da União Europeia e até mesmo da Rússia.

    Críticos de Trump acreditam que, para atingir os seus objetivos e manter o status do dólar como moeda de reserva mundial, é fundamentalmente impossível. Ou, como o autor do artigo da revista Forbes afirmou, Trump ficará feliz com a queda do dólar do pedestal mundial, uma vez que isso facilitará sua missão.

    A julgar pelas posições publicamente manifestadas do presidente americano e sua equipe, eles acreditam que conseguem fazer tudo: reviver a indústria, ganhar a guerra comercial, e, o mais importante, conseguir fazer tudo isso antes dos esforços russo-sino-europeus de criação de um sistema financeiro alternativo que trará frutos.

    Pode-se dizer com toda certeza que Trump vê o crescimento do dólar frente a outras moedas de forma incômoda.

    Será que o presidente dos EUA terá oportunidades políticas suficientes para conseguir enfraquecer o dólar? Porém, ele claramente não está sozinho nisso. Do seu lado está não só capital industrial americano, mas também parte dos magnatas financeiros, que aparentemente esperam obter lucros enormes na tentativa de reindustrializar os EUA e de aumentar as exportações norte-americanas.

    Por exemplo, um representante do conglomerado financeiro BlackRock, que gerenciava ativos de US$ 6,288 trilhões(R$ 25 trilhões), disse aos jornalistas da CNN que "um dólar fraco, seria bom para os mercados financeiros dos EUA".

    Se a presidência de Trump não for interrompida por impeachment, através de uma crise constitucional ou por uma "bala", então ele e seus aliados terão a chance de alcançar seu objetivo.

    Em vez disso, há sérias dúvidas sobre "tornar a América grande novamente", como Trump havia prometido aos eleitores. Já a respeito de "tornar o dólar fraco", eles provavelmente terão sucesso.

    Ivan Danilov, autor do blog Crimson Alter, para a Sputnik.

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    Tags:
    dólar, comércio internacional, moeda, exportações, mídia, economia, sanções, Donald Trump, Xi Jinping, Vladimir Putin, China, EUA, Rússia
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