00:53 17 Janeiro 2021
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    A ampla rede de comunicações da China nas Spratly terá um papel decisivo nos planos de gestão de crises de Pequim, para lidar com as crescentes tensões com os EUA no mar do Sul da China, segundo relatórios militares e analistas.

    Em Pequim, os vários cenários em consideração incluem as sete ilhas artificiais que cobrem cerca de 1.300 hectares de recifes de coral no disputado arquipélago de Spratly, de acordo com o South China Morning Post.

    Uma reportagem da revista militar chinesa Naval and Merchant Ships, citada pelo South China Morning Post, disse que os EUA tentaram criar uma "zona cinzenta", formando uma "mini OTAN" no Pacífico para conter a China em um arco em forma de C, ligando a Índia, Singapura, Taiwan, Japão e a Coreia do Sul.

    "Pequim deve tomar contramedidas para lidar com as 'táticas de zona cinzenta' dos EUA, e permitir que [os EUA] percebam que a China não é nem um receptor passivo nem um convidado regional na estratégia indo-pacífica de Washington, mas um jogador-chave e mestre na região", conforme está escrito na análise da edição de dezembro da revista, gerenciada pela principal empreiteira da Marinha chinesa, a Corporação Estatal de Construção Naval da China.

    A importância das comunicações no campo de batalha

    O artigo explica que a superioridade na área das informações no campo de batalha – fornecidas pela rede de comunicações ininterruptas das ilhas artificiais e que conecta o comando militar de Pequim aos postos avançados da linha de frente – poderia ser a maneira mais eficiente de derrotar os EUA em um conflito na região disputada.

    As sete ilhas artificiais abrigam guarnições navais, pessoal da Guarda Costeira, inspetores marítimos, estações de observação meteorológica e outros centros de pesquisa científica, bem como locais de descanso para pescadores chineses.
    Soldados do Exército de Libertação do Povo da China nas ilhas Nansha (Spratly), no mar do Sul da China (imagem de arquivo)
    © REUTERS / Stringer
    Soldados do Exército de Libertação do Povo da China nas ilhas Nansha (Spratly), no mar do Sul da China (imagem de arquivo)

     

    Michael Dahm, pesquisador sênior do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, disse em agosto que o principal objetivo dos postos avançados chineses era permitir obter superioridade em informação sobre os EUA na região, de modo a conter a vantagem militar americana. Dahm acrescenta que as ilhas artificiais foram equipadas com capacidades substanciais de C4ISR e de contra-C4ISR – um acrônimo da defesa americana para Comando, Controle, Comunicações, Computadores usados em Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR, na sigla em inglês).

    Collin Koh, pesquisador do programa de segurança marítima da Universidade Tecnológica de Nanyang em Singapura, disse que as instalações de ISR nas ilhas também desempenhariam um papel essencial no combate à intervenção militar dos EUA em uma possível guerra entre o Exército de Libertação Popular da China (ELP) e os militares taiwaneses.

    Afinal, "na era da informação, o ELP acredita que o sucesso no combate será alcançado ao vencer a luta pela superioridade da informação no campo de batalha operacional”, escreveu Dahm, segundo a mídia.

    Mais um motivo de conflito

    O ELP construiu 27 grandes cúpulas nas ilhas de recifes para abrigar radares, fornecendo vigilância aérea e de superfície. Sete estão implantados nos recifes Fiery Cross, Subi e Mischief, enquanto cabos de fibra óptica submarinos e sistemas de satélite em órbita baixa formam redes de comunicação ISR ininterrupta conectando as ilhas com o continente. Por sua vez, estas redes são capazes de interromper o sistema de comunicações militares dos EUA, diz a revista militar.

    Zhou Chenming, um especialista militar em comunicações baseado em Pequim, contou que as capacidades ISR do ELP poderiam cobrir toda a região, incluindo atividades militares na base aérea dos EUA em Palawan, nas Filipinas, a cerca de 350 km do recife Mischief.

    De acordo com Zhou e o artigo da revista militar, os postos avançados do recife podem ser vistos como um sistema de sistemas integrado no mar do Sul da China, mas também são vulneráveis a ataques fortes, devido a sua localização remota e falta de sistemas de sobrevivência.

    Navios chineses nas águas do recife de Mischief no arquipélago disputado de Spartly no mar do Sul da China
    © REUTERS / U.S. Navy/Handout
    Navios chineses nas águas do recife de Mischief no arquipélago disputado de Spartly no mar do Sul da China
    Deste modo, a China deverá estar em "alerta máximo", nomeadamente após o Departamento de Estado dos EUA ter declarado que Pequim não tinha base legal para impor unilateralmente sua vontade na região, bem como qualquer reivindicação territorial ou marítima legal do recife Mischief – a maior ilha artificial de Spratly.

    Porém, Zhou advertiu que a China transformou as ilhas artificiais nas plataformas ISR mais avançadas e abrangentes do país, pelo que os militares dos EUA "pagariam um custo enorme" se decidissem destruí-las.

    Na verdade, o ELP já teria projetado proativamente sua "boa vontade" ao Pentágono, com o objetivo de evitar uma tragédia irreversível, em resposta ao aumento das operações de vigilância de jatos espiões americanos – e até mesmo bombardeiros estratégicos – ao longo da costa sudeste da China.

    Após uma série de comunicações de alto nível, no final de outubro, o Pentágono descartou rumores sobre planos dos EUA para um ataque visando ilhas artificiais chinesas na região. Ambos os lados concordaram com um diálogo sobre segurança marítima antes do final do ano.

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    Tags:
    Defesa, tensão geopolítica, Estados Unidos, Ilhas Spratly, China
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