17:06 30 Outubro 2020
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    "Precisaríamos ter tido um presidente extraordinariamente visionário e imune às pressões políticas" para ter evitado o fiasco da expansão da OTAN, escreveu analista dos EUA. "Agora estamos pagando o preço".

    A expansão da OTAN foi um erro geopolítico que poderá enfraquecer a aliança no longo prazo, afirmou o analista Michael Krepon, em artigo publicado na National Interest.

    Após grandes progressos nas relações entre Washington e Moscou, que levaram ao desenvolvimento do sistema de controle de armamentos e de não proliferação, a situação da segurança mundial parece estar em forte deterioração.

    Para o analista, o início da derrocada deu-se quando a administração Clinton bombardeou Belgrado durante os conflitos que se seguiram ao fim da Iugoslávia.

    Apesar de, à época, a decisão ter parecido essencial para deter o sérvio Slobodan Milosevic, o custo para as relações entre Washington e Moscou foram incalculáveis. No entanto, a virada mais dramática nas relações entre as duas grandes potências foi o início do processo de expansão da OTAN, garante o analista.

    Munições com urânio empobrecido que foram usadas durante bombardeios da OTAN na Iugoslávia nos anos 90, imagem referencial
    © AP Photo / Hidajet delic
    Munições com urânio empobrecido que foram usadas durante bombardeios da OTAN na Iugoslávia nos anos 90, imagem referencial

    Parte da elite política norte-americana do início da década de noventa viu na expansão da OTAN uma possibilidade de angariar ganhos fáceis, frente a uma Rússia seriamente debilitada. Caso um dia a Rússia viesse a se reerguer, esses ganhos seriam de grande valia para Washington.

    Mas o argumento colocado publicamente era mais palatável, e afirmava que a OTAN não tinha o que temer, uma vez que a Guerra Fria acabara e os anos de confrontação tinham ficado para trás. A era de confrontação, diziam, tinha sido substituída por uma era de parceria.

    Os críticos argumentavam que a expansão da OTAN aumentaria as possibilidades de confronto com a Rússia e ampliaria perigosamente os compromissos militares internacionais dos EUA.

    Exercício militar da OTAN Lobo de Ferro 2019 na Lituânia
    Imagem da primeira fase dos exercícios militares da OTAN Lobo de Ferro 2019 na Lituânia

    A administração Clinton acabou optando pela expansão, mas acreditava que poderia realizá-la de forma progressiva. Só que a porta agora estava aberta e a administração seguinte, liderada pelo presidente Bush, não hesitou em pressionar pela adesão de países como a Ucrânia e a Geórgia, o que era visto pelo Kremlin como uma "linha vermelha" que não se poderia nunca ser cruzada.

    Para Krepon, a expansão da aliança militar foi um erro estratégico, que poderá resultar no enfraquecimento político e militar da Aliança.A OTAN aceitou em suas fileiras países com pouca ou nenhuma capacidade militar, cujos territórios são difíceis de ser defendidos por forças convencionais.

    A aliança atualmente conta com 28 membros, contra 16 antes do fim da Guerra Fria, todos cobertos pela cláusula de defesa coletiva. Montenegro, o mais novo membro da OTAN, tem somente vinte e quatro mil militares na ativa.

    A expansão da OTAN fez com que o período de progresso na área de controle de armamentos, não proliferação e relacionamento entre as potências militares fosse curto, sendo seguido por uma nova era de confrontação.

    Tanques da OTAN na Letônia, perto da fronteira com a Rússia
    © AP Photo / Mindaugas Kulbis
    Tanques da OTAN na Letônia, perto da fronteira com a Rússia

    Atualmente, tratados de grande relevância para a manutenção da segurança europeia e mundial foram abandonados, ou expiraram, como o Tratado INF e o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos.

    No entanto, o analista acredita que a possibilidade de a Casa Branca ter evitado a expansão da OTAN e a consequente deterioração das relações com a Rússia era praticamente zero. Havia apenas um membro da equipa de Clinton (William Perry, no Pentágono) que expressou sérias dúvidas sobre a expansão da OTAN. A posição de Perry era tentar ganhar tempo, ao invés de se opor firmemente à expansão.

    De acordo com o analista, as cartas já estavam dadas em 1993, e somente um presidente extraordinariamente visionário e imune às pressões políticas poderia ter optado por evitar a expansão da aliança. O nível de restrição necessário para evitar esse passo seria simplesmente muito grande.

    "Mesmo que Clinton tivesse escolhido não expandir a OTAN, George W. Bush e a sua equipe de triunfalistas e românticos estavam decididos a fazê-lo", escreve Krepon. Para ele, os americanos agora estão "pagando o preço".

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    Tags:
    Tratado INF, Rússia, erro, expansão, OTAN
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