08:43 15 Outubro 2018
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    Cruzador pesado Pyotr Veliky

    Reis blindados dos mares: os navios mais poderosos do século ХХ

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    Em batalhas navais, os navios de linha com blindagem pesada se destinavam a efetuar os ataques principais. Os maiores deles estavam equipados com dezenas de armas de diferentes calibres. Assim, quais foram os cinco deles mais bem armados e mais poderosos do século ХХ?

    Vale destacar que, com o desenvolvimento de aviação, eles deixaram de ter capacidades suficientes para resistir a bombardeiros e torpedeiros do adversário e, consequentemente, foram substituídos por cruzadores mais velozes e móveis. No entanto, seu poder não desapareceu sem deixar vestígios.

    O analista militar da Sputnik, Nikolay Protopopov, revela em detalhes as capacidades dessas embarcações mais potentes de sua época.

    Calibre imperial

    O navio encouraçado Yamato foi o maior navio operado pela Marinha Imperial Japonesa na Segunda Guerra Mundial. Com 250 metros de comprimento e 70 mil toneladas de deslocamento, esse gigante serviu como uma verdadeira fortaleza flutuante.

    Imagem apresenta navio de guerra japonês Yamato
    © AP Photo / ASSOCIATED PRESS
    Imagem apresenta navio de guerra japonês Yamato

    A bateria principal do Yamato consistia em nove canhões navais Tipo 94 de 460 mm — o maior calibre de artilharia naval já instalado em um navio de guerra na história — e era capaz de atingir alvos adversários à distância de 42 quilômetros. Sua bateria secundária era formada por doze canhões de 155 mm montados em quatro torres triplas e doze canhões antiaéreos de 127 mm instalados em seis torres duplas. Ademais, possuía mais de uma centena e meia de canhões automáticos de 25 mm.

    No entanto, os marinheiros japoneses não conseguiram usar todas as capacidades desse navio. O Yamato "morreu" em 1945 no mar da China Oriental quando foi atacado por mais de três centenas de aviões que não paravam de lançar seus projéteis. O casco do navio foi atingido por dezenas de torpedos e bombas. Finalmente sua agonia terminou quando um dos paióis da pólvora da proa detonou em uma enorme explosão. Quase toda a tripulação do navio — 2500 pessoas — partilhou seu destino.

    Bismarck blindado

    O encouraçado alemão Bismarck, da classe Bismarck, foi lançado em 1939.

    Imagem mostra o encouraçado alemão Bismarck
    © AP Photo / ASSOCIATED PRESS
    Imagem mostra o encouraçado alemão Bismarck

    O Bismarck tinha um deslocamento de 50 mil toneladas e 251 metros de comprimento. Assim, era o maior navio de guerra da Alemanha, podendo desenvolver uma velocidade recorde para esse tipo de navios — 30 nós (55,6 km/h).

    O Bismarck estava armado com oito canhões SK C/34 de 380 mm instalados em quatro torres de artilharia: duas dianteiras — Anton e Bruno — e duas traseiras — Caesar e Dora. A blindagem do navio tinha 320 mm de espessura e seus conveses tinham de 50 mm até 120 mm de espessura. Os canhões de 380 mm estavam protegidos por uma blindagem de 220 mm a 360 mm.

    O navio participou de apenas uma operação ofensiva em maio de 1941. Junto com o cruzador pesado Prinz Eugen, o Bismark deveria seguir para o Atlântico Norte e atacar navios mercantes aliados que se dirigiam para o Reino Unido. No âmbito da operação, o navio alemão enfrentou e atingiu em cheio o HMS Hood, o grande orgulho da Marinha Real Britânica. Entretanto, o Bismarck foi atingido três vezes e sofreu danos na proa, tendo sido perfurado um dos tanques de combustível.

    A destruição do Hood iniciou uma perseguição implacável pela Marinha Real, que finalmente o destruiu.

    Cruzador nuclear 'de granito'

    20 lançadores de mísseis de cruzeiro antinavio P-700 Granit, sistemas de defesa antiaérea Kinzhal e Osa-M, sistemas de longo alcance S-300F, sistemas de artilharia Kortik e AK-630, sistemas antissubmarino Vodopad, lança-bombas reativas e um canhão automático Ak-130 — este é o arsenal militar que está a bordo do cruzador nuclear pesado russo Pyotr Veliky e que seria suficiente para armar um pequeno exército.

    Navios do projeto 1144 Orlan foram criados com objetivo de destruir grupos de porta-aviões adversários, alvos isolados e em grupo, e também para proteger forças navais de ataques submarinos e aéreos. Atualmente, o cruzador Pyotr Veliky é o único navio desse tipo que está em serviço da Marinha russa.

    Cruzador nuclear pesado russo Pyotr Veliky
    © Sputnik / Vitaly Ankov
    Cruzador nuclear pesado russo Pyotr Veliky

    Espera-se que sejam estes os navios que vão receber em breve a bordo os mísseis supersônicos Tsikron. É uma arma antinavio inacessível para os sistemas de defesa antiaérea modernos de qualquer inimigo.

    Navio de guerra universal

    Cruzadores estadunidenses da classe Ticonderoga tem o direito de serem considerados dos navios de superfície mais armados do mundo: podem portar até 11 mísseis de vários tipos — SM-2, SM-6, SM-3, RIM-17 Sea Sparrow, Tomahawk e mísseis antissubmarino ASROC. Assim, são capazes de se proteger de qualquer ameaça proveniente tanto da água como do ar.

    O cruzador de mísseis norte-americano USS Antietam da classe Ticonderoga
    CC BY 2.0 / Marinha dos EUA
    O cruzador de mísseis norte-americano USS Antietam da classe Ticonderoga

    Desde sua entrada em serviço da Marinha dos EUA em 1980, esses navios continuam sendo a força de ataque principal.

    Atualmente a Marinha norte-americana dispõe de 22 navios dessa classe. Cada um está equipado com o sistema de armas navais integradas Aegis. O cruzador atinge uma velocidade máxima de 32,5 nós, superando até 3.300 quilômetros à velocidade de 30 nós.

    Os Ticonderoga são navios de guerra universais que operam tanto individualmente, como em grupos de porta-aviões.

    Terror dos porta-aviões

    O cruzador de mísseis guiados russo Moskva, pertencente ao projeto 1164 Atlant, pode portar 16 mísseis supersônicos antinavio P-1000 Vulkan, que eliminam alvos de superfície à distância de 700 quilômetros. A defesa antiaérea do cruzador é garantida por oito sistemas de mísseis S-300F. Para combater alvos aéreos a curta distância ele possui dois sistemas Osa-M com 40 mísseis.

    O Moskva é considerado o navio mais operacional da Marinha da Rússia e efetua, de modo regular, missões de combate no mar Mediterrâneo.

    Por sua contribuição para as operações na Síria, o navio-almirante da Frota do Mar Negro foi condecorado com a Ordem de Nakhimov — uma das maiores condecorações da Marinha, tanto no período da URSS como no da Rússia.

    A Marinha da Rússia tem em seu serviço mais dois navios idênticos: o Marshal Ustinov, pertencente à Frota do Norte, e o cruzador Varyag — responsável pela proteção das fronteiras orientais do país.

    Cruzador de mísseis russo Moskva em patrulha no Mar Mediterrâneo, ao largo da costa da Síria, em 17 de dezembro de 2015
    © AFP 2018 /
    Cruzador de mísseis russo Moskva em patrulha no Mar Mediterrâneo, ao largo da costa da Síria, em 17 de dezembro de 2015

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    Tags:
    blindagem, armamento, cruzador, navios de guerra, mísseis, porta-aviões, Pyotr Veliky, Ticonderoga, Moskva, Marinha, EUA, Rússia
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