01:09 19 Novembro 2018
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    Soldado vietnamita e o porta-aviões USS Carl Vinson ao fundo. Foto de março de 2018.

    Presença de porta-aviões dos EUA no Vietnã causa 'infelicidade' na China

    © REUTERS / Kham
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    Pela primeira vez desde o fim da Guerra do Vietnã em 1975, um porta-aviões dos Estados Unidos está em águas vietnamitas. E a China, que tem momentos de tensão com os dois países, não está contente.

    O USS Carl Vinson ancorou no porto de Da Nang na segunda-feira (5). Seus marinheiros devem participar de programas de intercâmbio técnico e atividades esportivas com as forças armadas do Vietnã. Também está na agenda trabalho humanitário em orfanatos e em um centro de vítimas do Agente laranja — um herbicida cancerígeno despejado pelos EUA no país durante o conflito armado.

    O Vietnã afirma que 3 milhões de pessoas sofreram de efeitos colaterais do Agente laranja — que vão de câncer a malformações físicas e mentais. 

    "A vigilância e a infelicidade da China são inevitáveis, mas não pensamos que a viagem ao Vietnã do USS Carl Vinson possa provocar problemas no mar do sul da China", afirma artigo no jornal Global Times.

    O texto também aponta que "a cooperação entre Washington e Hanói não irá gerar ferramentas especiais para pressionar a China. A tensão está mais no nível psicológico e não terá nenhum efeito se a China a ignorar".

    O Global Times é controlado pelo Partido Comunista da China e muitas vezes é utilizado para expressar posições não oficiais de Pequim.

    Imagem de satélite mostrando o recife de Fiery Cross no arquipélago Spartly no mar do Sul da China, onde Pequim teria construído instalações em 2017, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS)
    © AP Photo / Iniciativa de Transparência Marítima da Ásia do CSIS/DigitalGlobe
    Palco de litígios, o mar do sul da China conta com diversas ilhas que são disputadas pelos países da região. Um dos locais mais sensíveis para a China e o Vietnã são as Ilhas Spratly — os dois países chegaram perto de um confronto militar em 1988 na disputa pela soberania e ocupação do arquipélago.

    Além da disputa entre as nações asiáticas, os Estados Unidos têm marcado presença na região. Enquanto Pequim pede que Washington fique longe, os EUA acusam a China de ocupar militarmente a região.

    Em janeiro, o secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, visitou o Vietnã e falou sobre a importância do laço entre os dois países: "Nós reconhecemos que os relacionamentos nunca ficam iguais. Eles ficam mais fortes ou eles ficam mais fracos e os Estados Unidos querem um relacionamento mais forte com um Vietnã mais forte".

    A Guerra do Vietnã matou entre 1 e 3 milhões de vietnamitas. Nas últimas décadas, entretanto, Estados Unidos e Vietnã têm se reaproximado para fazer frente ao poderio da China.

    Vietnã e China já tiveram conflitos militares. Os vietnamitas invadiram o vizinho Camboja para destituir o ditador Pol Pot — que tinha o apoio de Pequim. Os chineses não gostaram da interferência e invadiram o Vietnã em 1979, em um conflito que durou apenas 3 semanas mas deixou mais de 50 mil mortos. Desde a década de 1990, todavia, as relações entre Hanói e Pequim estão estáveis.

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    Tags:
    James Mattis, Estados Unidos, Camboja, Vietnã, China
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