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    Mundo enfrenta pandemia no fim de abril de 2021 (77)
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    Seis pacientes com doenças autoimunes em Israel desenvolveram herpes-zóster após receberem doses da vacina da Pfizer/BioNTech. Pesquisadores sugerem que doenças autoimunes oferecem maior propensão a desenvolver erupções cutâneas.

    Pesquisadores de Israel descobriram que pessoas com certas doenças autoimunes podem desenvolver herpes-zóster após serem vacinadas contra o coronavírus. O novo estudo afirma que pacientes com doenças reumáticas inflamatórias autoimunes (AIIRD, na sigla em inglês) – que fazem com que o sistema imunológico ataque partes do corpo de uma pessoa – são mais propensos a desenvolver as erupções cutâneas após a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech do que a segunda dose.

    Para o estudo, publicado na revista Rheumatology, a equipe analisou 590 pacientes que receberam doses da vacina do laboratório Pfizer contra COVID-19. Ao todo, 491 foram diagnosticados com doenças reumáticas inflamatórias autoimunes.

    Os resultados mostraram que, dos 491 pacientes com AIIRD, 1,2% (seis pessoas) desenvolveu herpes, que é uma infecção viral que causa erupções cutâneas dolorosas em qualquer parte do corpo e é causado pelo mesmo vírus que causa a varicela, também conhecida como catapora no Brasil. Depois de contraída a doença, o vírus pode permanecer inativo no corpo e ser reativado como herpes-zóster anos mais tarde.

    "Não podemos dizer que a vacina é a causa neste momento", disse ao Jerusalem Post a pesquisadora principal do estudo, dra. Victoria Furer, reumatologista do Centro Médico Sourasky de Tel Aviv. "Podemos dizer que pode ser um gatilho em alguns pacientes."

    As doenças reumáticas inflamatórias autoimunes fazem com que o sistema imunológico ataque os ossos, articulações, músculos ou órgãos de uma pessoa. Elas incluem condições como artrite reumatoide, esclerose sistêmica e doença mista do tecido conjuntivo.

    Os sintomas comuns são dores musculares, fadiga, inchaço e vermelhidão da pele que cobre as articulações e dormência nas mãos e pés. Estima-se que entre 3% e 5% da população geral dos EUA sofre de AIIRD, de acordo com a Academia Americana de Médicos de Família.

    Cinco dos AIIIRD contraíram a infecção após a dose inicial de Pfizer e uma pessoa após a dose final. Comparativamente, nenhum paciente do grupo de controle que recebeu a vacina desenvolveu herpes-zóster, seja após a primeira ou a segunda injeção.

    Furer detalhou que cinco dos seis pacientes que desenvolveram herpes tiveram casos leves de sua doença autoimune, o que significa que eles não deveriam estar sob risco aumentado. Os cientistas suspeitam que haja ligação entre a doença autoimune prévia e o desenvolvimento das erupções devido ao herpes.

    Ela acrescentou que um estudo maior é necessário para confirmar os resultados e que uma recomendação poderia ser dada para os pacientes com AIIRD serem vacinados contra o herpes antes de receberem a vacina contra COVID-19 a fim de reduzir o risco e encorajar os pacientes.

    "Não devemos assustar as pessoas […]. É apenas importante estar ciente", disse a pesquisadora, reforçando a mais-valia da vacina contra o coronavírus.
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    Israel, caso raro, vacina, novo coronavírus, COVID-19, danos colaterais, varicela, herpes
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