20:05 22 Abril 2021
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    Estudo propõe explicação da evolução comportamental, cultural e psicológica do ser humano desde seu surgimento até a Revolução Agrícola, ou seja, entre dois milhões de anos atrás até dez mil anos a.C.

    Miki Ben-Dor e Ran Barkai, do Departamento de Arqueologia Jacob M. Alkow da Universidade de Tel Aviv, realizaram o estudo.

    A teoria, publicada no Quaternary Journal, propõe que, ao evoluírem para caçadores de animais de grande porte, os humanos acabaram contribuindo para a extinção dos mesmos, tendo, assim, que se adaptar à caça de presas menores. Este novo processo de adaptação desenvolveu as capacidades cognitivas humanas, aumentando o tamanho do cérebro humano de 650 centímetros cúbicos para 1.500 centímetros cúbicos, de acordo com Phys.org.

    Até agora, ainda nenhuma outra teoria teria proposto uma explicação para tamanho fenômeno da pré-história humana.

    Nos últimos anos foi coletada mais evidências de que os humanos teriam sido o fator principal da extinção de grandes animais e, consequentemente, teriam de adaptar suas técnicas de caça a presas menores e esguias, primeiro no continente africano e depois em outras partes do mundo. Na verdade, antes do surgimento da espécie humana, o peso médio dos animais que habitaram a África corresponderia a 500 quilos.

    Segundo os pesquisadores, a necessidade de caçar presas menores não só contribuiu para o aumento do volume do cérebro humano, como também foi um fator importante para o desenvolvimento da linguagem humana que, por sua vez, permitiu que os humanos conseguissem trocar informação sobre onde as presas estavam.
    Homo sapiens e mulher neandertal em museu na França
    © AP Photo / Laurent Cipriani
    Homo sapiens e mulher neandertal em museu na França

    No final, a teoria decreta que todos os processos evolutivos serviriam um só fim: a preservação da energia corporal.

    Antes da extinção de espécies de grande porte, quando os humanos caçavam animais grandes e pesados, a carne dos primeiros era rica em matéria gorda, logo uma fonte de energia essencial. No entanto, com animais menores, a caça teria de ser em maior quantidade para garantir que os níveis de energia do corpo humano não fossem comprometidos. "Nós correlacionamos o aumento do volume do cérebro humano com a necessidade de se tornar melhor caçador", afirmou Ben-Dor, citado pela mídia.

    "Caçar animais que estariam sendo sempre ameaçados por outros predadores e que, por essa mesma razão, seriam mais rápidos a iniciar sua fuga, obrigaria a uma fisiologia mais adaptada à perseguição, bem como instrumentos de caça mais sofisticados. Por outro lado, a atividade cognitiva aumentou, uma vez que a perseguição deste tipo de presas requereria um processo de tomada de decisões mais rápido, com base no comportamento dos animais— tudo isso seria informação que precisaria de uma memória maior", explicou Ben-Dor.

    Milhares de anos mais tarde, após a Idade da Pedra e a posterior domesticação dos animais e certos tipos de plantas, chegamos à Revolução Agrícola. Nesse período, uma vez que os humanos habitavam zonas de uma maneira mais fixa, tornando-se agricultores, o tamanho de seus cérebros diminuiu para o volume atual de 1.300 a 1.400 centímetros cúbicos. Por outro lado, uma vez que os animais já eram domesticados, não seriam necessárias mais técnicas de como capturá-los.

    Barkai acrescenta que este processo evolutivo poderia também definir o Homo sapiens do seu primo neandertal, pois enquanto os últimos "se extinguiram quando sua presa de grande porte desapareceu, o Homo sapiens decidiu começar de novo, dessa vez confiando na agricultura".

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    Tags:
    arqueologia, caça, evolução, cérebro, neanderthal, homo sapiens
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