14:46 21 Junho 2021
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    Cientistas descobriram em rochas sedimentares do Eoceno aglomerados de partículas bastante grandes de ferro magnético, provavelmente ligadas a bactérias antigas. Anteriormente, tinham sido achadas apenas nanopartículas individuais de origem orgânica.

    Algumas bactérias criam em seu corpo pequenas partículas magnéticas que, formando-se em cadeia dentro de células, atuam como uma bússola pequena interna. Tais bactérias magnetotáticas se orientam pelas linhas de força do campo magnético da Terra, que as ajudam a encontrar efetivamente caminhos para as áreas com nível ideal de nutrientes e oxigênio.

    Vale destacar que fósseis magnéticos são aglomerados microscópicos em rochas sedimentares de nanopartículas de ferro bacteriano. Como bactérias magnetotáticas se desenvolvem ativamente durante os períodos de aumento rápido de temperatura, fósseis magnéticos são um indicador do aquecimento global no passado.

    Pesquisadores dos Estados Unidos e da Austrália descobriram os restos de ímanes biológicos gigantes em forma de agulha ou cilindro, cujo tamanho é 20 vezes maior do de outros fósseis magnéticos, em sedimentos do Eoceno médio de 56 milhões a 34 milhões de anos.

    Os autores do estudo desenvolveram um método novo de descobrimento de fósseis magnéticos gigantes em rochas sem destruir as amostras, preservando-as para outras análises, segundo estudo publicado na revista National Academy of Sciences.

    O método Curva de Inversão da Primeira Ordem (FORC, na sigla em inglês) procura assinaturas magnéticas de fósseis, usando medidas magnéticas de alta resolução.

    "O método FORC estuda reação das partículas magnéticas aos campos magnéticos externos, permitindo distinguir diferentes tipos de partículas de óxido de ferro, de fato, sem observá-las", afirmou o pesquisador Ramon Egli, do Instituo Central de Meteorologia e Geodinâmica.
    Imagem do microscópio eletrônico dos restos de ímanes biológicos gigantes em forma de agulha
    Imagem do microscópio eletrônico dos restos de ímanes biológicos gigantes em forma de agulha

    Atualmente, nenhum dos organismos conhecidos forma aglomerados tão grandes de partículas magnéticas, e os pesquisadores ainda não sabem que organismos os formaram no passado, esperando encontrar a resposta através do novo método desenvolvido.

    "A capacidade de encontrar rapidamente aglomerados de partículas magnéticas em crônicas geológicas ajudará a determinar a origem desses fósseis magnéticos específicos e também a descobrir o habitat dos organismos que os formaram", preveem cientistas.

    Os fósseis de aglomerados de microrganismos magnéticos encontrados pelos pesquisadores são do Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno, aquecimento dramático, que ocorreu há 55 milhões de anos. É uma das mudanças climáticas mais rápidas na história geológica que durou alguns milhares de anos. Os cientistas sugerem que foi justamente durante este período que surgiram bactérias magnéticas gigantes.

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    Tags:
    campo magnético, partículas, temperatura, aquecimento, bactérias
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