04:09 04 Março 2021
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    Recuperado no complexo rochoso de Green River, nos EUA, o fóssil representa uma espécie desconhecida de insetos predadores do período Cretáceo.

    O percevejo é minúsculo e sua cápsula genital (chamada pigóforo) tem o comprimento de um grão de arroz, porém, sua descoberta é notável por suas características físicas intactas. O estudo sobre o fóssil foi publicado na revista Papers in Palaeontology.

    Os paleontólogos chamaram o novo inseto de Aphelicophontes danjuddi. O gênero da espécie vem de "aphelicus", uma palavra latina para "velho", que significa "matador" ou "assassino", e sendo assim, determinaram o percevejo como sendo pertencente ao grupo de "insetos assassinos" pré-históricos.  Os pesquisadores também constataram que a espécie tem mais de 50 milhões de anos. 

    Imagem do fóssil do percevejo, na qual é possível observar com detalhes o padrão de faixas em negrito em suas pernas e as características internas de sua genitália
    Imagem do fóssil do percevejo, na qual é possível observar com detalhes o padrão de faixas em negrito em suas pernas e as características internas de sua genitália

    Ao lado de uma das pernas está um pequeno besouro que fossilizou ao mesmo tempo e embora o inseto assassino possa ter se alimentado do besouro, não se sabe se esse besouro em particular foi vítima do ataque assassino do inseto.

    Os pesquisadores ficaram entusiasmados por encontrarem um fóssil com um pigóforo tão preservado. Segundo o paleontólogo Sam Heads, do Instituto de História Natural de Illinois (EUA), ser capaz de ver a genitália de um inseto é algo muito útil, pois ajuda a determinar o lugar do inseto em sua árvore genealógica e até mesmo encontrar novas espécies.

    "As espécies são frequentemente definidas por sua habilidade de acasalar com sucesso, e pequenas diferenças na genitália podem levar a incompatibilidades sexuais que, com o tempo, podem resultar no surgimento de novas espécies", diz Head citado pelo Live Science.

    As estruturas visíveis dentro do pigóforo incluem a placa basal e uma estrutura endurecida em forma de estribo que suporta o falo. O fóssil também preservou os contornos da faloteca, uma bolsa da qual o falo pode ser retirado.

    "Ver essas estruturas finas na genitália interna é um deleite raro, só obtemos este nível de detalhe em espécies que vivem hoje. É quase inédito que a genitália masculina interna esteja tão bem preservada em compressões carbonáceas como a nossa", diz o paleontólogo.

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    Tags:
    fóssil, paleontologia, ciência
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