05:23 06 Março 2021
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    Paleontólogos descobriram um "elo perdido" entre insetos bioluminescentes antigos e vagalumes contemporâneos. Trata-se de um besouro bem preservado em âmbar há 100 milhões de anos.

    A maioria dos besouros brilhantes faz parte da família Elateroidea, contando com 24 mil espécies conhecidas. Mais mil espécies ainda nem foram descritas.

    Historicamente, apesar da biodiversidade, a evolução dos besouros bioluminescentes ainda é pouco estudada. Por isso, o besouro brilhante encontrado pelos paleontólogos é uma descoberta importante. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Proceedings of the Royal Society B.

    Os insetos usam a luz para conter predadores, atrair fêmeas, e algumas fêmeas usam a luz para atrair e comer os machos.

    "Muitos besouros produtores de luz são muito pequenos e têm corpo frágil, por isso a descrição paleontológica deles é limitada", segundo o coautor do estudo Chenyang Cai, da Universidade de Bristol. "No entanto, o fóssil encontrado em âmbar no norte de Mianmar está extremamente bem preservado, até o órgão produtor de luz não foi danificado."

    A presença do órgão de luz no abdômen do inseto macho, que foi nomeado Cretophengodes azari, significa que besouros eram capazes de emitir luz há 100 milhões de anos, de acordo com os pesquisadores.

    "Um fóssil recém-descoberto, preservado em âmbar com precisão realista, representa um parente extinto de vagalumes das famílias Rhagophthalmidae e Phengodidae", comentou Yan-Da Li, do Instituto da Geologia e Paleontologia de Nanquim e da Universidade de Pequim.
    Besouro Cretophengodes azari, preservado em âmbar
    Besouro Cretophengodes azari, preservado em âmbar

    Elateroidea é um dos grupos mais diversificados de besouros difíceis de ser estudados por entomólogos. Inovações anatômicas importantes foram desenvolvidas muitas vezes independentemente entre grupos sem ligação, disse Erik Tihelka, da Escola de Ciências da Terra.

    Os pesquisadores sugerem que a produção da luz inicialmente foi desenvolvida em larvas de besouros frágeis como um mecanismo de defesa para conter predadores.

    "Os fósseis mostram que no Cretáceo a produção da luz foi adoptada por espécimes adultas. Mesmo assim, começou a ser realizada para outras funções, como a procura de parceiros", afirmou Robin Kundrata, especialista da Universidade Palacky da República Tcheca.

    Reconstrução artística da espécie Cretophengodes azari. Larva fêmea no fundo é reconstruída na base dos besouros existentes Phengodidae e Rhagophthalmidae
    © Foto / Dinghua Yang
    Reconstrução artística da espécie Cretophengodes azari. Larva fêmea no fundo é reconstruída na base dos besouros existentes Phengodidae e Rhagophthalmidae

    Ambos machos e fêmeas da espécie recém-descoberta, provavelmente, tinham aparência e tamanho diferentes, assim como os besouros contemporâneos Platerodrilus. Suas fêmeas, que não têm assas, são conhecidas como "besouros trilobitas".

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    Tags:
    luz, descoberta, animais, insetos, besouros
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