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    Coronavírus no mundo em meados de dezembro (87)
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    Especialistas tentam encontrar formas de recuperar o olfato e estão desenvolvendo métodos especiais de "treinamento", visto que a privação de olfato e paladar não é algo inofensivo.

    A perda do olfato não é um sintoma raro em infecções virais. Além do SARS-CoV-2, outros coronavírus, rinovírus e vírus da gripe também podem provocá-lo.

    Problemas psicológicos

    Recentemente, os cientistas britânicos comprovaram que a ausência duradoura de olfato pode levar a estresse emocional e ainda a perturbações mentais, publicando os resultados do estudo no site MedRxiv. Na pesquisa participaram cerca de 9.000 pessoas afetadas pelo problema, membros de um grupo no Facebook criado pela organização de caridade AbScent, a Sociedade Britânica de Otorrinolaringologia (ENT) e a Sociedade de Rinologia Britânica.

    O olfato é um dos cinco sentidos básicos que liga o ser humano ao ambiente, a outras pessoas e a seu corpo. Os autores da pesquisa estabeleceram que todos os pacientes com perda do olfato e paladar começaram a ter sensações de solidão, de distância social e individual e também de irrealidade de tudo o que acontece à volta.

    A maioria dos entrevistados notou ter dificuldades com o reconhecimento de cheiros e sabores. O mais difícil para muitos é o desaparecimento das sensações habituais. Eles também referem falta de empatia e apoio por parte dos parentes, que acham estes sintomas insignificantes.

    Além do mais, a comida deixou de dar prazer. Por isso, o seu comportamento alimentar mudou: surgiu a apatia em relação à comida ou, ao contrário, o consumo excessivo de comida gordurosa.

    Um outro aspecto importante é a preocupação de não poder reconhecer o cheiro de fumaça ou outros cheiros tóxicos, não sendo capaz de evitar uma situação perigosa.

    Remédios eficazes

    Um grande estudo realizado em três hospitais na Bélgica apresentou provas de que, em caso de perda do olfato ligada à COVID-19, os remédios mais eficazes são o citrato de sódio e o treinamento de reconhecimento de cheiros. Já os sprays nasais, esteroides orais e hidratação nasal não ajudam.

    Esta imagem de microscópio eletrônico sem data, disponibilizada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA em fevereiro de 2020, mostra o novo coronavírus SARS-CoV-2, amarelo, surgindo da superfície das células, azul/rosa, cultivadas em laboratório
    © AP Photo / NIAID-RML
    Imagem do SARS-CoV-2 dado por um microscópio eletrônico

    O citrato de sódio tem bons resultados no tratamento da disfunção olfativa provocada pelo vírus da gripe. Segundo os cientistas, a impossibilidade de reconhecer cheiros pode ser provocada pelo fato de, nos vasos sanguíneos na área responsável pelo olfato, se formarem microtrombos de cálcio. O citrato de sódio – citrato de ácido de limão – dissolve as partículas de cálcio nos vasos, com estes se recuperando.

    Treinamento do reconhecimento de cheiros

    Para recuperar a sensibilidade do olfato danificado pelo coronavírus, os médicos recomendam ainda treinar o sistema olfativo, ou seja, aprender a reconhecer os cheiros de novo.

    Um dos métodos é baseado na capacidade cerebral de compensar os danos do epitélio e do trato olfativo. Cientistas da Universidade de Dresden (Alemanha) efetuaram um experimento em 153 pacientes com perda do olfato parcial ou total devido ao vírus. Durante alguns meses, duas vezes por dia, os pacientes cheiravam pelo menos quatro odores por 15 segundos, tentando memorizá-los.

    No kit de treinamento foram incluídos os cheiros de limão, rosa, lavanda, mel, eucalipto ou chocolate. Os cientistas avaliaram quantitativamente a sensibilidade do olfato no início do estudo e depois de seis meses de treinamento.

    Revelou-se que o treinamento leva à recuperação das vias olfativas, constituídas por redes de neurônios. Este método demonstrou a maior eficácia na faixa etária mais velha e entre os pacientes com perda do olfato grave.

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    novo coronavírus, COVID-19
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