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    Uma vez que os planetas como o que foi descoberto não orbitam nenhuma estrela hospedeira, os cientistas tiveram que empregar alguns métodos pouco tradicionais para localizá-lo.

    Uma equipe de astrônomos da Universidade de Varsóvia, Polônia, conformou a descoberta do menor dos "planetas à deriva", ou seja, planetas que não orbitam uma estrela diretamente, encontrado até o momento, do tamanho da Terra, relatou na quinta-feira (29) o portal Live Science.

    De acordo com a mídia, tais planetas flutuantes livres não podem ser detectados através de métodos tradicionais, uma vez que não orbitam uma estrela hospedeira, mas pesquisadores do projeto Experiência de Lente Gravitacional Óptica (OGLE, na sigla em inglês) conseguiram fazer isso empregando microlentes.

    "Se um objeto maciço passar entre um observador terrestre e uma estrela de fonte distante, sua gravidade pode desviar e focalizar a luz da fonte. O observador medirá um brilho curto da estrela fonte", explica o dr. Przemek Mroz, acadêmico pós-doutorado do Instituto de Tecnologia da Califórnia, EUA, e um dos principais autores do estudo.

    "As chances de observar a microlenteação são extremamente estreitas porque três objetos: fonte, lente e observador, devem estar quase perfeitamente alinhados. Se observássemos apenas uma estrela fonte, teríamos que esperar quase um milhão de anos para ver a fonte sendo microlensada", acrescenta Mroz.

    A maior parte dos exoplanetas só pode ser detectada devido à luz da estrela hospedeira. Se o planeta for demasiado pequeno ou distante, é possível descobri-lo através de leve atração gravitacional exercida sobre sua estrela, ou por uma cintilação que ocorre quando um planeta passa na frente do lado da estrela virado para a Terra, algo que não acontece com os planetas à deriva, nota a mídia.

    A descoberta do "evento de microlente de menor escala jamais encontrado", ou o menor planeta à deriva, designado OGLE-2016-BLG-1928, foi confirmada pelos cientistas na quinta-feira (29), após ser publicada no jornal Astrophysical Journal Letters.

    "Nossa descoberta demonstra que planetas flutuantes livres de baixa massa podem ser detectados e caracterizados usando telescópios terrestres", sublinhou o professor Andrzej Udalski, diretor do projeto OGLE, citado pelo portal SciTechDaily.

    Décadas de pesquisa

    Em 2016, a equipe encontrou o que podia ter sido um pequeno planeta em fuga, em uma estrela localizada a cerca de 27.000 anos-luz de distância, na parte mais densa da Via Láctea.

    A universidade polonesa tem observado centenas de milhões de estrelas desde 1992, tendo encontrado 17 exoplanetas através da microlenteação.

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    Tags:
    EUA, Instituto de Tecnologia da Califórnia, Polônia, Live Science
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