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    Cientistas conduziram duas pesquisas para estudar como funciona o LTT 9779b, localizado a apenas 260 anos-luz de distância, crendo que sua massa é pequena demais para sustentar a atmosfera do planeta.

    Depois da descoberta de um exoplaneta peculiar a 260 anos-luz de distância, pesquisadores examinaram mais a atmosfera do "Netuno" ultraquente.

    O LTT 9779b, pouco maior que Netuno, completa a órbita à volta de sua estrela em apenas 19 horas, mantendo mesmo assim uma atmosfera robusta e temperatura muito elevada, levando a comunidade científica a observar o corpo celeste com maior atenção.

    Os cientistas, liderados por Diana Dragomir, da Universidade do Novo México, EUA, publicaram agora dois novos estudos na revista The Astrophysical Journal, onde tentaram obter mais dados sobre o planeta.

    "Pela primeira vez, medimos a luz proveniente deste planeta que não deveria existir", afirmou Ian Crossfield, da Universidade do Kansas, EUA.

    A equipe calculou a temperatura observando a variação da luz de todo o sistema, descobrindo que, contrário da Terra, onde a parte mais quente do dia é poucas horas depois do meio-dia, devido ao calor entrar na atmosfera terrestre mais rapidamente do que é irradiado de volta para o espaço, esse período acontece praticamente a meio do dia no exoplaneta.

    "O planeta é muito mais frio do que esperávamos, o que sugere que ele está refletindo muito da luz estelar incidente que o atinge, presumivelmente devido às nuvens do dia", disse o astrônomo Nicolas Cowan do Instituto de Pesquisa em Exoplanetas (iREx, na sigla em inglês) e da Universidade McGill, ambos no Canadá.

    "O planeta também não transporta muito calor para seu lado noturno, mas achamos que entendemos isso: a luz estelar, que é absorvida, é provavelmente absorvida no alto da atmosfera, de onde a energia é rapidamente irradiada de volta para o espaço", explica Cowan.

    Dragomir decidiu combinar dados do eclipse secundário Spitzer com os do telescópio espacial Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS, na sigla em inglês), da agência espacial norte-americana NASA, nos quais o LTT 9779b passa atrás da estrela, para entender a estrutura térmica de sua atmosfera, e descobriram monóxido de carbono.

    No entanto, o gás só faz sentido em gigantes de gás menores no momento. "[...] Sua massa não é grande o suficiente para se agarrar a uma atmosfera por muito tempo", indica Diana Dragomir.

    Assim, os astrônomos creem que são necessários mais estudos para compreender como a atmosfera do corpo celeste funciona.

    "Se alguém vai acreditar no que os astrônomos dizem sobre encontrar sinais de vida ou oxigênio em outros mundos, vamos ter que mostrar que podemos realmente fazê-lo bem primeiro nas coisas fáceis", disse Crossfield.

    "Nesse sentido, estes planetas maiores e mais quentes, como o LTT 9779b, agem como rodinhas de apoio e mostram que realmente sabemos o que estamos fazendo e podemos fazer tudo certo", conclui.

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    Tags:
    NASA, Universidade do Kansas, Canadá, EUA
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