08:38 30 Outubro 2020
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    O primeiro "Netuno" ultraquente foi encontrado por uma equipe internacional de astrônomos orbitando a estrela próxima LTT 9779.

    Astrônomos observaram um novo corpo celeste, um planeta do tamanho de Netuno que orbita muito próximo de sua estrela, LTT 9779. O exoplaneta LTT 9779b está tão próximo da estrela que seu ano dura apenas 19 horas e a radiação estelar aquece o planeta a mais de 1700 ºC, tornando-o o primeiro "Netuno" ultraquente conhecido. As descobertas foram publicadas na segunda-feira (21) na revista científica Nature Astronomy.

    Em temperaturas tão altas, elementos pesados ​​como o ferro podem ser ionizados na atmosfera e as moléculas desassociadas, proporcionando um laboratório único para estudar a química de planetas fora do Sistema Solar.

    O exoplaneta LTT 9779b pesa o dobro de Netuno e também é um pouco maior do que Netuno, portanto, tem uma densidade semelhante. Dessa forma, o LTT 9779b deve ter um grande núcleo com cerca de 28 massas terrestres e uma atmosfera que representa cerca de 9% da massa planetária total.

    A estrela LTT 9779 tem cerca de metade da idade do nosso Sol, com dois bilhões de anos. Dada a intensa irradiação, não se esperava que um planeta nos moldes de Netuno mantivesse sua atmosfera por tanto tempo, o que acabou fornecendo um quebra-cabeça intrigante para os astrônomos resolverem: como esse sistema solar tão improvável surgiu?

    "Na verdade, por ser um mundo tão único e raro, cenários mais exóticos podem ser plausíveis", comenta em comunicado James Jenkins, professor do departamento de Astronomia da Universidade do Chile.

    LTT 9779 é muita rica em metais, tendo o dobro de ferro em sua atmosfera do que o nosso Sol. Esse pode ser um indicador importante de que o exoplaneta LTT 9779b era originalmente um gigante gasoso muito maior, uma vez que esses corpos se formam preferencialmente perto de estrelas com as maiores abundâncias de ferro.

    Deserto de Netuno

    O LTT 9779b é muito incomum, existindo em uma região esparsamente povoada do espaço paramétrico planetário. "O planeta existe em algo conhecido como 'Deserto de Netuno', uma região desprovida de planetas quando olhamos para a população de massas e tamanhos planetários", Jenkins.

    Uma vez que o planeta parece ter uma atmosfera significativa e orbita uma estrela relativamente brilhante, estudos futuros da atmosfera planetária podem desvendar alguns dos mistérios relacionados a como esses planetas se formam, como evoluem e os detalhes do que são feitos.

    "O planeta é muito quente, o que motiva a busca por elementos mais pesados que o hidrogênio e o hélio, junto os núcleos atômicos ionizados. É preocupante pensar que este 'planeta improvável' é provavelmente tão raro que não encontraremos outro laboratório como esse para estudar os Netunos ultraquentes em detalhes. Portanto, devemos extrair cada grama de conhecimento que pudermos desse diamante em bruto, observando-o com instrumentos baseados no espaço e no solo nos próximos anos", conclui Jenkins.

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