07:17 28 Setembro 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    0 0 0
    Nos siga no

    Uma configuração de anéis irregular no anel mais próximo de um sistema composto por três estrelas, descoberta ainda em 2017, e confirmada por um novo estudo, levou cientistas a propor teorias.

    O rádio-observatório ALMA, no Chile, e o telescópio VLT do Observatório Europeu do Sul ajudaram uma equipe internacional a detalhar uma configuração de disco de formação planetária pouco comum em um sistema, localizado na constelação Orion, segundo um comunicado do ALMA.

    O sistema, localizado a 1.300 anos-luz do Sistema Solar, consiste em duas estrelas, orbitando uma em torno da outra a uma distância de aproximadamente uma unidade astronômica (a distância média entre a Terra e o Sol), com uma terceira estrela orbitando as outras duas em uma órbita desalinhada a uma distância de oito unidades astronômicas, e é conhecido desde 1949.

    Os discos protoplanetários, como o nome sugere, são o material a partir do qual se formam os planetas em torno de uma estrela, explica o portal Science Alert. A estrela necessita primeiro se formar e crescer em um viveiro estelar. Depois um nó de material em uma nuvem protoestelar colapsa gravitacionalmente, e começa a girar, criando, assim, um disco gigante de gás e poeira, que se alimenta da estrela em crescimento.

    Quando este processo de formação é concluído, o material restante do disco começa a se aglomerar, e eventualmente forma planetas e outros corpos menores. É por isso que, em sistemas planetários como nosso Sistema Solar, os planetas e cinturões de asteroides são alinhados de forma mais ou menos plana, contornando a linha do equador da estrela.

    Ao redor de sistemas de múltiplas estrelas, no entanto, o plano planetário é muitas vezes desalinhado com as órbitas de suas estrelas. O estudo dos discos protoplanetários ao redor de sistemas de múltiplas estrelas pode nos ajudar a entender como este desalinhamento acontece.

    Os três anéis possuem uma gigante nuvem protoplanetária de poeira e gás, com os anéis a distâncias de 46, 185 e 340 unidades astronômicas a partir do centro do sistema. O último anel é o maior já encontrado. Em comparação, a distância média entre Plutão e o Sol é de 39,5 unidades astronômicas.

    Descobertas realizadas

    "Em nossas imagens, vemos a sombra do anel interno no disco externo", disse o astrônomo Stefan Kraus, da Universidade de Exeter, Reino Unido, uma descoberta anteriormente observada pelo ALMA em 2017.

    O observatório ALMA, do qual o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) é parceiro, e o instrumento SPHERE no VLT do ESO, mostrando GW Orionis, um sistema de três estrelas com uma peculiar região interna. Ao contrário dos discos planos que vemos ao redor de muitas estrelas, GW Orionis apresenta um disco deformado pelos movimentos das três estrelas em seu centro. A imagem do ALMA (esquerda) mostra a estrutura em forma de anel do disco, com o anel mais interno separado do resto do disco. As observações do SPHERE (direita) permitiram aos astrônomos ver pela primeira vez a sombra deste anel mais interno no resto do disco, o que lhes permitiu reconstruir sua forma deformada
    Imagem de GW Orionis, sistema de três estrelas com uma peculiar área interna

    Kraus e sua equipe realizaram simulações computadorizadas em 3D do GW Orion, chegando à conclusão de que as influências gravitacionais conflitantes das estrelas ao longo de diferentes planos foram capazes de produzir o pronunciado rasgo de disco no sistema.

    No entanto, a astrônoma Nienke van der Marel, da Universidade de Victoria, Austrália, cuja equipe é liderada por Jiaqing Bi, crê que deve haver outro fator que leva ao fenômeno.

    "Pensamos que a presença de um planeta entre estes anéis é necessária para explicar por que o disco foi rasgado. Este planeta provavelmente esculpiu uma fenda de poeira e quebrou o disco onde estavam os anéis internos e externos atuais."

    Os estudo foi publicado nas revista The Astrophysical Journal Letters e também na Science.

    Mais:

    Astrônomos descobrem fenômeno responsável pelas pulsações espaciais
    VÍDEO e FOTOS mostram suposto nascimento de planeta
    Descobertos discos planetários com órbitas similares a astro de 'Guerra nas Estrelas'
    Tags:
    Austrália, Universidade de Victoria, Reino Unido, Observatório Europeu do Sul, Chile
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar