14:28 03 Dezembro 2020
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    Pesquisadores de uma universidade britânica usaram tomografia microcomputadorizada em múmias de um gatinho, de um pássaro e de uma serpente, descobrindo detalhes da vida dos animais.

    Cientistas da Universidade de Swansea, Reino Unido, realizaram estudos de tomografia microcomputadorizada de múmias egípcias, encontrando múmias de um gatinho, de uma serpente e de um pássaro, informa o portal Science Alert.

    "Usando tomografia microcomputadorizada podemos efetivamente realizar uma autópsia sobre estes animais, mais de dois mil anos após a morte deles no Antigo Egito", afirmou o cientista de materiais Richard Johnston, da Universidade de Swansea, sobre o estudo, publicado na revista Scientific Reports na quinta-feira (20).

    Uma autopsia típica envolve a extração e manuseamento físico de um corpo morto, danificando assim o quase sempre patrimônio cultural, razão pela qual esta prática hoje não é aceita na arqueologia. Em vez disso, hoje é utilizada a tecnologia de imagens de raio X para examinar o interior de objetos.

    Fotografias dos três exemplares e barras de escala: a: múmia de pássaro (W531), b: múmia de gato (cabeça: AB77a e corpo: AB77b), e c: cobra mumificada (EC308)
    Múmias de pássaro, gatinho e cobra

    No entanto, os raios X apenas oferecem informação bidimensional, e a tomografia computorizada, que é tridimensional, tem relativamente baixa resolução, razão pela qual a recente tecnologia de tomografia microcomputadorizada, que gera imagens em resoluções muito superiores às das tomografias computadorizadas médicas, têm ganhado terreno no campo de arqueologia.

    "Com uma resolução até 100 vezes maior que uma tomografia computadorizada médica, fomos capazes de reunir novas evidências de como eles viveram e morreram, revelando as condições em que foram mantidos e as possíveis causas de morte".

    Pesquisa minuciosa

    As tomografias microcomputadorizadas não conseguiram revelar a causa da morte do pássaro, que se assemelha principalmente a um peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus). No entanto, o tratamento do felino e do réptil parece ser mais negativo.

    Visualizações de tomografia microcomputadorizada de ave de rapina (W531). Segmentação digital do tomograma mumificado da ave, revelando a estrutura esquelética e algumas pequenas estruturas de maior atenuação dentro dos invólucros
    Visualização de tomografia computadorizada de ave mumificada

    O felino, provavelmente um gatinho domesticado (Felis catus), tinha menos de cinco meses quando morreu, segundo evidenciado através dos dentes no maxilar que ainda não tinham saído, e também um pescoço quebrado. No entanto, não se sabe se morreu dessa maneira, ou se isso ocorreu como resultado do processo de mumificação.

    Visualizações de tomografia microcomputadorizada da cabeça de gato (AB77a). a: dentição, b: fraturas mandibulares, c: fratura do maxilar esquerdo, d: desvio angular da parede nasal, e: partes fragmentadas da parede craniana e estruturas internas da orelha visíveis dentro da cavidade craniana (imagem em fatias 2D do tomograma), f: fratura radiando através do parietal esquerdo, g: fratura radial acaba nas linhas de sutura, h: atlas, eixo e vértebras cervicais, indicando separação e possível causa de morte. Escala: comprimento total do crânio é de 68,9 milímetros
    Visualização de tomografia computadorizada de pássaro mumificado

    A serpente, uma naja egípcia juvenil (Naja haje), tinha vértebras deslocadas, levando os pesquisadores a concluir que tinha sido pega pela cauda e "chicoteada", uma teoria que é apoiada pelos extensos danos ao crânio. Além disso, os seus dentes venenosos estavam ausentes, provavelmente não removidos anteriormente na vida, mas como tentativa de proteger o embalsamador.

    Visualizações de tomografia microcomputadorizada de serpente (EC308). a: Vista superior da segmentação 3D de tomografia computadorizada de Região de Interesse (ROI, na sigla em inglês) produzindo maior resolução, revelando ossos com foco no crânio e danos esqueléticos associados, e algum tecido calcificado. b: Apresentação segmentada de espécimes inteiros a partir de escaneamento de menor resolução. Metade dos envoltórios removidos digitalmente para revelar o esqueleto da cobra e algumas seções de maior atenuação dentro dos invólucros. c: Subseção segmentada em 3D de varredura de menor resolução mostrando seção de vértebras separadas, com uma separação de aproximadamente cinco milímetros. d: Corte axial através do crânio, revelando osso (branco) e tecido mole dessecado (cinza) que inclui material cerebral residual dentro do crânio e os restos do olho esquerdo. As linhas de interseção destacam o centro do olho. e: Segmentação 3D do tomograma ROI, revelando ossos (cinza), traqueia (vermelho) e rins calcificados (verde colorido). f: Fatia sagital através do crânio, revelando osso (branco) e estruturas na boca, possivelmente inseridos na abertura da glote. g: Fatia coronal através do crânio e interseção de vértebras enroladas (branco), rins calcificados (cinza claro) e objetos possivelmente colocados na boca. Escala: Embrulho com o maior comprimento é de 165 milímetros, e o comprimento do crânio da cobra é de 14,4 milímetros
    Visualização de tomografia computadorizada de serpente mumificada

    A civilização egípcia tinha uma extensa tradição de mumificação, aplicada comumente tanto aos humanos como aos animais. No entanto, mesmo que fossem venerados muitas vezes, os animais também eram frequentemente sacrificados aos deuses egípcios antes de serem mumificados.

    "Nossas descobertas revelaram novos conhecimentos sobre mumificação animal, religião e relações homem-animal no Antigo Egito", concluiu Carolyn Graves-Brown, a curadora do Centro Egípcio da Universidade de Swansea.

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    Tags:
    Scientific Reports, Reino Unido, Egito
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