10:20 12 Agosto 2020
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    Pela primeira vez, astrônomos testemunharam "cintilação" de um buraco negro. Trata-se de uma brusca mudança da luminosidade em seu redor para a qual os cientistas ainda não possuem uma explicação.

    Contudo, sugerem que poderíamos ter sido testemunhas de como um buraco negro devora uma estrela.

    O fato de que buracos negros não brilham ou refletem luz é bem conhecido. Porém, antes de devorar a matéria no espaço que os rodeia, geram com ela redemoinhos em seu redor, como água que rodeia uma drenagem, a acelerando a velocidades tão altas que a matéria começa a brilhar como mil sóis.

    Este manto de matéria quente e brilhante em volta do buraco negro se chama coroa.

    Assim como todas as galáxias, a 1ES 1927+654 – a 275 milhões de anos-luz de distância – contém em seu interior um buraco negro supermassivo. Trata-se de um monstro, cuja massa equivale à de 19 milhões de massas solares.

    Durante um período de somente 40 dias, os astrônomos observaram como sua coroa deixou de brilhar e voltou a fazê-lo, mais brilhante que antes.

    "Esperávamos que as mudanças de luminosidade tão grandes variassem em escalas de tempo de milhares a milhões de anos. No entanto, neste objeto vimos mudar sua intensidade aproximadamente dez mil vezes durante um ano, e até mesmo mudar em um fator de 100 em oito horas, o que é totalmente desconhecido e realmente alucinante", explica a física Erin Kara do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês).

    Os astrônomos notaram pela primeira vez que ocorria algo estranho nesta galáxia em 2018, quando o telescópio ASASSN – que busca luzes brilhantes em todo o céu – captou um enorme clarão de uma galáxia, 40 vezes mais brilhante que o normal.

    Isto chamou a atenção dos astrônomos, que direcionaram diversos telescópios em sua direção para obter mais informações.

    Durante um tempo não notaram nada de anormal, mas logo, em torno de 160 dias depois da erupção, o núcleo da 1ES 1927+654 começou a se atenuar. Por um período de 40 dias, o brilho no espectro de raios X desapareceu por completo.

    "Depois do ASSASN a ter visto passar por esta enorme explosão anormal, vimos como desaparecia a coroa. Tornou-se indetectável, o que nunca tínhamos visto antes", disse Kara.

    Então, seu brilho começou a aumentar constantemente de novo. Após 300 dias da erupção inicial, o núcleo da galáxia era quase 20 vezes mais brilhante que antes das observações.

    Representação artística mostra o entorno do buraco negro supermassivo no coração da galáxia ativa NGC 3783 na constelação sul de Centauro
    Impressão artística sobre o entorno do buraco negro supermassivo na galáxia NGC 3783

    Os astrônomos não estão completamente seguros de como se geram e alimentam as coroas de buracos negros. Sabemos que podem variar em brilho, ainda que geralmente isso ocorra em escalas de tempo muito mais longas.

    Uma hipótese sugere que podem mudar com grande velocidade quando capturam e devoram uma estrela que se aventura a aproximar demais. A estrela se solta gerando um clarão de luz brilhante antes de ser devorada pelo buraco negro.

    "Este conjunto de dados tem muitos enigmas. Porém, isso é emocionante, porque significa que estamos aprendendo algo novo sobre o Universo. Acreditamos que as hipóteses da estrela são boas, mas também acredito que vamos analisar este evento durante muito tempo", conclui Kara.

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    Tags:
    galáxia, Universo, espaço, astronomia, ciência
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