12:50 05 Dezembro 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    0 113
    Nos siga no

    Cientistas investigaram assentamentos com dólmens e túmulos megalíticos no leste da Irlanda, encontrando parentescos próximos entre o que teriam sido elites dinásticas.

    O famoso complexo arqueológico Brú na Bóinne, no leste da Irlanda, considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO devido à sua cultura neolítica de cinco mil anos, mais antiga que a Pirâmide de Gizé, tinha casos de consanguinidade entre parentes de primeiro grau da elite dominante social irlandesa, descobriu uma equipe de pesquisadores em um estudo publicado na revista Nature.

    A equipe, liderada por Lara Cassidy, do Colégio da Trindade de Dublin, Irlanda, em conjunto com outros institutos irlandeses e britânicos, examinou ossos de 44 indivíduos enterrados em túmulos megalíticos dessa cultura, e encontrou provas de um homem que seria de uma família real em relação endogâmica com um familiar, diz o jornal New York Times, semelhante à prática real dos imperadores incas e faraós egípcios.

    Dólmen de Poulnabrone, condado de Clare, República da Irlanda
    © Foto / Unsplash / K. Mitch Hodge
    Dólmen de Poulnabrone, condado de Clare, República da Irlanda

    Segundo as descobertas, é altamente provável que foi formada uma elite que dirigia a construção dos túmulos, o que tornava socialmente aceitável que tivessem relações próximas com familiares.

    "Os poucos exemplos onde é socialmente aceito", disse ela, são "sociedades extremamente estratificadas com uma classe de elite capaz de quebrar regras".

    Além disso, os pesquisadores encontraram uma rede de relações familiares distantes entre o homem e outros indivíduos vivendo com tradições dos dólmens um pouco por toda a Irlanda.

    "Parece que o que temos aqui é um poderoso grupo estendido, que teve acesso a locais de enterro de elite em muitas regiões da ilha por pelo menos meio milênio", revela Cassidy.

    "Todos nós herdamos duas cópias do genoma, uma da nossa mãe e outra do nosso pai", explicou. "Bem, as cópias deste indivíduo eram extremamente semelhantes, sendo um sinal de consanguinidade íntima. Na verdade, nossas análises nos permitiram confirmar que seus pais eram parentes de primeiro grau."

    Genética irlandesa

    Os cientistas também descobriram que antes de apareceram os construtores dos túmulos, a ilha era habitada por caçadores-coletores, que foram geneticamente absorvidos pelos "invasores" vindos do exterior, devido à existência de um parente com ascendência de caçadores-coletores na árvore genealógica de um habitante irlandês de hoje.

    Os irlandeses contemporâneos descendem dessa população mais recente, que veio de fazendeiros da Anatólia, atual Turquia.

    Além disso, a equipe descobriu o primeiro caso de síndrome de Down em uma criança de 5.500 anos em Co Clare, ocidente da Irlanda. O caso mais antigo conhecido tinha 4.000 anos.

    Mais:

    Menino irlandês recebe aula prática de história ao achar barco de 4 mil anos (FOTO)
    Nova descoberta em antiga ruína turca pode revelar segredos neolíticos
    Templo de 3.000 anos é encontrado em antiga cidade israelense mencionada na Bíblia (FOTOS)
    Ilhas místicas da Escócia são até mais antigas do que Stonehenge, revelam cientistas
    Tags:
    Revista Nature, UNESCO, Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, Patrimônio Mundial, Reino Unido, República da Irlanda, Irlanda do Norte, Irlanda
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar