20:11 14 Agosto 2020
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    Cientistas completaram estudo genético-arqueológico multidisciplinar que clarifica misteriosas influências transculturais detectadas em locais de sepultamento da Idade da Pedra na atual Suécia.

    As origens da Suécia remontam à época do degelo das calotas polares do norte, em cerca de 12.000 a.C., época em que grupos de caçadores começaram a habitar a área.

    Ao longo da Idade da Pedra (8.000 a.C. a 6.000 a.C.), seus primeiros habitantes produziram ferramentas e armas de pedra para a caça, coleta e pesca como meios de sobrevivência.

    Forjando a Suécia na tundra gelada

    Durante o Mesolítico (Idade Média da Pedra), pelo menos três grupos culturalmente diferentes existiam na Suécia. Arqueólogos identificaram a "cultura de cerâmica de funil", considerada como a primeira cultura sedentária escandinava, a "cultura de cerâmica perfurada" de caçadores-coletores e a "cultura do machado de guerra", ligada à pastorícia.

    Estes três grupos diferiram em estilos de vida, genética, tradições e rituais de sepultamento, segundo o portal Ancient Origins, que analisa um novo estudo recentemente publicado que desvenda o mistério das culturas suecas da Idade da Pedra.

    Mistério das culturas da Idade da Pedra da Suécia desvendadas graças à genética

    Segundo o Ancient Origins, a nova pesquisa, da autoria de uma equipe conjunta de arqueólogos e geneticistas da Universidade de Estocolmo, na Suécia, revelou o porquê das influências culturais da "cultura do machado de guerra" serem encontradas em túmulos de pessoas da "cultura de cerâmica perfurada".

    Evidência de influências transculturais

    Jan Stora é arqueólogo da Universidade de Estocolmo e um dos autores de um novo estudo que revela a importância do mapeamento genético anterior da equipe.

    Stora, que liderou a equipe que analisou amostras de DNA de 25 indivíduos da Idade da Pedra coletadas em quatro cemitérios da "cultura de cerâmica perfurada" em Gotland, Suécia, descobriu que algumas das sepulturas tinham sido influenciadas pela "cultura do machado de guerra".

    "Este é um estudo único que contribui para nossa compreensão das interações entre os grupos culturais da Idade da Pedra", afirmou Stora.

    O estudo prossegue explicando que nas sepulturas da "cultura de cerâmica perfurada" os falecidos eram na maioria das vezes enterrados de costas com suas ferramentas de caça e às vezes enterrados com ossos de focas, que eles caçavam.

    Contato entre culturas da Idade da Pedra mapeado através do DNA

    As sepulturas não eram marcadas com pedregulhos ou montes de terra. Segundo Stora, também existem várias sepulturas atípicas com influências aparentes da "cultura do machado de guerra", por exemplo, aquelas em que se descobriram indivíduos enterrados com machados de guerra e colocados em posição fetal, o que geralmente está associado à "cultura do machado de guerra".

    A equipe de pesquisadores descobriu igualmente que cerca da metade das pessoas examinadas havia sido enterrada em sepulturas clássicas da "cultura de cerâmica perfurada", enquanto a outra metade mostrou influências das tradições de enterramento da "cultura do machado de guerra".

    Para surpresa dos cientistas, os pesquisadores descobriram que nenhum dos indivíduos estava geneticamente ligado a pessoas da "cultura do machado de guerra" e que todos os corpos pareciam pertencer a um grupo muito homogêneo e geneticamente similar aos grupos de caçadores-coletores de períodos anteriores.

    A equipe acredita que as pessoas da "cultura de cerâmica pefurada" foram influenciadas pela "cultura do machado de guerra" e, como os pesquisadores não conseguiram encontrar uma única conexão genética entre os dois grupos, é provável que o contato tenha sido na forma de comércio e não através da migração.

    O estudo faz parte do Projeto Atlas, que investiga os padrões populacionais pré-históricos na Escandinávia e Eurásia.

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    Tags:
    arqueologia, Suécia
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