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    Em 2018, o radiotelescópio chinês detectou um misterioso pulso de energia nunca antes registrado, e agora encontrou o que um cientista descreve ser "um toque de cor muito leve em uma tela estrelada".

    O FAST, o maior e mais potente radiotelescópio do mundo, com 500 metros de diâmetro e localizado na província chinesa de Guizhou, detectou uma nova rajada rápida de rádio (FRB, na sigla em inglês), um pulso de energia que geralmente dura apenas alguns milissegundos, de acordo com a revista Science and Technology Daily.

    A descoberta, recentemente publicada na revista Astrophysical Journal Letters, foi feita por uma equipe internacional liderada pelos cientistas Zhu Weiwei e Li Di, do Observatório Astronômico Nacional da Academia Chinesa de Ciências (NAOC, na sigla em inglês).

    Utilizando um método inovador de busca integrado com tecnologias de inteligência artificial de aprendizagem profunda, os cientistas detectaram a nova rajada, denominada FRB 181123, a partir de uma análise de dados de pesquisa em tempo real do FAST.

    A descoberta relata uma nova FRB com três componentes de emissão distintos.

    As FRB, misteriosos sinais de rádio vindos do espaço exterior, são normalmente emissões de energia pontuais, e apenas muito poucas são repetidas. As FRB captadas pelos telescópios possuem, na sua maioria, uma estrutura de um único feixe, a partir do qual pode ser detectado um aumento súbito de fótons.

    O processo inteiro é semelhante a um relâmpago que ilumina o céu em um momento curto e transitório antes de escurecer. No entanto, uma FRB multipico emite duas a três vezes seguidas ou mais.

    De acordo com Zhu, a recém-descoberta FRB mostra um perfil de pulso com três picos, a um intervalo de aproximadamente cinco milissegundos, com a energia liberada pelo primeiro pulso superando os dois últimos.

    A estrutura do novo pulso é semelhante à FRB 121102, o primeiro evento repetitivo observado pelos astrônomos, disse Zhu.

    "É estimado que o sinal de pulso tenha sido emitido por cerca de 10 bilhões de anos antes de ser detectado pelo FAST em 23 de novembro de 2018", explicou Zhu.

    Li Di, que também é cientista-chefe do FAST, atribuiu a descoberta à sensibilidade superior do telescópio. Li disse que, tal como um telescópio óptico, quanto maior o diâmetro, mais sensível é um radiotelescópio.

    Vista aérea do Telescópio de Abertura Esférica de 500 metros (FAST) no remoto condado de Pingtang, na província de Guizhou, sudoeste da China, 24 de setembro de 2016
    © AP Photo / Liu Xu / Xinhua
    Vista aérea do Telescópio de Abertura Esférica de 500 metros (FAST) no remoto condado de Pingtang, na província de Guizhou, sudoeste da China, 24 de setembro de 2016

    De acordo com o cientista, a nova descoberta mostra a alta sensibilidade e grande capacidade do FAST, já que a FRB 181123 é semelhante a um "toque de cor muito leve em uma tela estrelada".

    Princípio das pesquisas

    Em 2018, o FAST detectou um dos pulsos de milissegundos mais fracos já registrados, que os telescópios de muitos outros países não conseguiram captar, acrescentou ele.

    Os novos campos da astronomia estão se desenvolvendo rapidamente, e o número de FRB descobertas tem aumentado acentuadamente, chegando agora a quase 1.000.

    "Nós embarcamos na pesquisa das FRB em 2015", disse Li. "No entanto, apesar de seu início relativamente tardio, a nova descoberta pelo FAST mostrou as vantagens únicas do telescópio na captação de sinais extremamente fracos vindos do espaço profundo".

    Segundo Li, o sinal é provavelmente proveniente do período em que o maior número de estrelas fixas apareceu na evolução do Universo.

    "Vamos fortalecer nossa pesquisa de acompanhamento utilizando o FAST para esclarecer a origem e os mecanismos das FRB", acrescentou o cientista.

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    Tags:
    Guizhou, Academia Chinesa de Ciências (CAS), China
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