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    Situação do mundo com COVID-19 em meados de junho (50)
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    Estudos científicos recentes mostram que o coronavírus está enfraquecendo, o que torna possível esperar que não ocorra uma segunda onda da pandemia da COVID-19, segundo especialista.

    "Em maio, nossos médicos notaram uma diminuição progressiva da gravidade da doença, com a qual os doentes infectados pelo coronavírus foram hospitalizados. Não foi apenas uma redução no número de pacientes, mas também uma redução no número de doentes que precisavam de tratamento em unidade de terapia intensiva [UTI], principalmente em relação à pneumonia. Ao mesmo tempo, aumentou o número de pessoas infectadas que poderiam ser tratadas em casa", afirmou à Sputnik o proeminente virologista italiano Massimo Clementi, vice-reitor da Universidade Vita-Salute San Raffaele de Milão.

    Segundo Clementi, uma mudança tão séria no quadro clínico exigia uma explicação científica, cuja busca foi realizada pelos funcionários do laboratório de microbiologia e virologia da maior instituição médica privada da Itália - o Hospital San Raffaele.

    "Realizamos um pequeno estudo que comparou 100 pacientes internados no hospital de 1º a 15 de março e 100 pacientes hospitalizados na segunda quinzena de maio. Descobriu-se que a carga viral no estágio inicial da epidemia era significativamente dezenas de vezes maior do que no final de maio. Esse resultado é muito importante", enfatizou o professor.

    Perspectivas da pandemia

    O especialista opina que uma melhora no quadro clínico, acompanhada de uma clara diminuição da carga viral, presumivelmente significa que o próprio coronavírus está enfraquecendo.

    A conclusão sobre o enfraquecimento do vírus, segundo o cientista, é confirmada pelos dados que chegam de vários países em diferentes estágios da epidemia. Ele também falou sobre um estudo recente de um grupo de cientistas de Londres que pesquisou diferentes sequências do genoma do vírus (previamente identificadas na China, Europa e Estados Unidos), analisando-as em diferentes estágios da pandemia.

    Transferência de paciente com COVID-19 (imagem referencial)
    © REUTERS / Daniel Becerril
    Transferência de paciente com COVID-19 (imagem referencial)

    "Como resultado, colegas britânicos descobriram que existem certas áreas do genoma do vírus onde ocorrem mutações. Esse é um fenômeno chamado homoplasia. Isso significa que o vírus é muito flexível e se adapta ao corpo humano através de várias mutações", explicou o microbiologista.

    Clementi chamou os dados de grandes novidades, tendo em mente as perspectivas de uma pandemia.

    "O fato é que o processo descrito acima ocorre em todos os países, independentemente de sua localização geográfica e do estágio da epidemia em que estão. Em todos os lugares, a evolução do vírus segue na mesma direção, em alguns lugares mais rápido, em alguns lugares mais lento. É muito provável que esse processo reduza o potencial patogênico do vírus, reduza sua virulência, como já aconteceu mais de uma vez. Gradualmente, o vírus se torna menos agressivo, adapta-se e enfraquece […]. Se o vírus se tornar gradualmente menos virulento, não haverá repetição da situação", concluiu o professor.

    O virologista sugeriu que, em breve, o novo vírus enfraquecerá tanto que "como outros coronavírus, causará apenas doenças respiratórias banais em humanos".

    Tema:
    Situação do mundo com COVID-19 em meados de junho (50)

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    Tags:
    mutação, pacientes, novo coronavírus, pandemia, COVID-19
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