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    Avanço da pandemia de COVID-19 em meados de maio (112)
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    Em meio a intensos debates, discussões e insinuações sobre a origem natural ou laboratorial do vírus causador da COVID-19, cientistas identificam em morcegos o parente mais próximo do SARS-CoV-2.

    Apesar de os pesquisadores considerarem os morcegos como os mais prováveis hospedeiros naturais do SARS-CoV-2, as origens do vírus ainda não estão claras.

    Parente que vive em morcegos

    Em um estudo publicado em 10 de maio na revista Current Biology, pesquisadores descrevem um coronavírus de morcego recentemente identificado que é o parente conhecido mais próximo do SARS-CoV-2.

    A pesquisa e suas conclusões mereceram um artigo de análise no portal científico Phys.org. Os cientistas apuraram que algumas regiões do genoma contêm inserções de aminoácidos na junção das subunidades S1 e S2 da proteína dos espigões do vírus de maneira semelhante ao SARS-CoV-2.

    Embora não seja um precursor evolutivo direto do SARS-CoV-2, este novo vírus, o RmYN02, sugere que estes tipos de eventos de inserção aparentemente incomuns possam ocorrer naturalmente na evolução dos coronavírus, escrevem os pesquisadores.

    "Desde a descoberta do SARS-CoV-2, tem havido uma série de insinuações infundadas de que o vírus teria origem laboratorial", diz o autor principal Weifeng Shi, diretor e professor do Instituto de Biologia Patogênica da Primeira Universidade de Medicina de Shandong, na China, citado pelo portal.

    "Em particular, foi referido que a inserção do S1/S2 é altamente incomum e talvez indiciadora de manipulação laboratorial. Nosso trabalho mostra muito claramente que estes eventos ocorrem naturalmente na vida selvagem. Isto fornece fortes evidências contra o fato de o SARS-CoV-2 poder ter resultado de uma fuga laboratorial", garantiu Shi.

    Os pesquisadores identificaram o RmYN02 a partir de uma análise de 227 amostras de morcegos coletadas na província de Yunnan, China, entre maio e outubro de 2019.

    "Desde a descoberta de que os morcegos eram os hospedeiros do coronavírus da SARS em 2005, tem havido grande interesse no estudo dos morcegos como possíveis hospedeiros de doenças infecciosas, particularmente por que eles carregam uma diversidade muito alta de vírus RNA, incluindo os coronavírus", afirmou Shi.

    O RNA das amostras foi enviado para sequenciamento metagenômico de última geração no início de janeiro de 2020, logo após a descoberta do SARS-CoV-2.

    Outro parente, também em morcegos

    Em termos de genoma, o mais próximo do SARS-CoV-2 é outro vírus, chamado RaTG13, que foi igualmente identificado em morcegos e detectado na província de Yunnan.

    Mas o RmYN02, o vírus recentemente descoberto e objeto de pesquisa do estudo, está ainda mais próximo do SARS-CoV-2 em algumas partes do genoma, incluindo na seção de codificação mais longa do genoma chamada 1ab, onde eles compartilham 97,2% do RNA.

    Os pesquisadores observaram que o RmYN02 não se assemelha muito ao SARS-CoV-2 na região do genoma que codifica o domínio chave de ligação do receptor que se liga ao receptor humano ACE2 que o SARS-CoV-2 usa para infectar as células humanas.

    Razão pela qual os cientistas concluíram ser pouco provável que venha a poder infectar células humanas.

    A principal semelhança entre o SARS-CoV-2 e o RmYN02 é a descoberta de que o RmYN02 também contém inserções de aminoácidos no ponto em que as duas subunidades da proteína dos espigões se encontram.

    Origem claramente natural

    O SARS-CoV-2 é caracterizado por uma inserção de quatro aminoácidos na junção de S1 e S2. Esta inserção é única ao vírus e tem estado presente em todas as sequências do SARS-CoV-2 obtidas até agora.

    Por seu turno, as inserções no RmYN02 não são as mesmas do SARS-CoV-2, o que indica que elas ocorreram através de eventos de inserção independentes.

    Então, um evento de inserção similar acontecendo em um vírus identificado em morcegos sugere fortemente que estes tipos de inserções são de origem natural.

    "Nossas descobertas sugerem que esses eventos de inserção, que inicialmente pareciam muito incomuns, podem na verdade ocorrer naturalmente em betacoronavírus animais", afirma Shi.

    "Nosso trabalho lança mais luz sobre a ascendência evolutiva do SARS-CoV-2", diz Shi, para quem nem RaTG13 nem RmYN02 são ancestrais diretos do SARS-CoV-2, dada a existência de uma lacuna evolutiva entre esses vírus.

    "Mas nosso estudo aponta fortemente que a amostragem de mais espécies de vida selvagem irá revelar vírus que estão ainda mais estreitamente relacionados ao SARS-CoV-2 e talvez até sejam mesmo seus ancestrais diretos, o que nos dirá muito sobre como este vírus surgiu nos seres humanos", concluiu Shi, citado pelo Phys.org.

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    Tags:
    doença, ciência, vírus, pandemia, COVID-19
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