20:42 05 Dezembro 2020
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    Observações da estrela S2, que orbita um buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, mostram que ela não só comprova as previsões feitas pela Teoria Geral da Relatividade de Einstein, como o faz de forma espetacular.

    Usando o telescópio VLT (Very Large Telescope), operado no Chile pelo Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), astrônomos têm rastreado a órbita de S2 em torno do buraco negro Sagittarius A* desde os anos 90.

    Depois de analisar os dados das observações, vários pesquisadores, incluindo portugueses, concluíram que a órbita de S2 não é uma elipse em posição fixa, mas muda de posição como um padrão espirográfico, como ilustrado nesta incrível animação.

    "Descobrimos que o movimento de uma estrela em torno desse buraco negro não é uma órbita fechada, isto é, não é um caminho em que o fim e o início são o mesmo ponto, descrito periodicamente", disse à Lusa um dos pesquisadores portugueses envolvidos no estudo, Paulo Garcia, do Centro de Astrofísica e Gravitação (Centra) do Instituto Superior Técnico, em Lisboa.

    Segundo Garcia, a estrela S2 tem uma "órbita aberta, compatível com a Teoria Geral da Relatividade" publicada pelo físico Albert Einstein em 1915.

    ​Observações feitas com o Very Large Telescope (VLT) do ESO revelaram pela primeira vez que uma estrela, S2, orbitando o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea se move como previsto pela Teoria Geral da Relatividade de Einstein

    O fenômeno espirográfico é conhecido como a precessão de Schwarzschild, e S2 provou agora que tais peculiaridades celestes são verdadeiras, mesmo no ambiente gravitacional mais extremo do Universo.

    A estrela S2 chega a 17 horas-luz do buraco negro (o equivalente a quatro vezes a distância entre Netuno e o Sol), atingindo velocidades de até 3% da velocidade da luz enquanto é balançada pela imensa gravidade do buraco negro.

    Imagem de um buraco negro no centro da galáxia M87, obtida pelo Telescópio do Horizonte de Eventos
    Imagem de um buraco negro no centro da galáxia M87, obtida pelo Telescópio do Horizonte de Eventos

    Além disso, as observações do movimento de S2 em torno do buraco negro também confirmaram a massa de Sagittarius A* como sendo cerca de quatro milhões de vezes à do Sol, revelando ainda mais as previsões anteriores e ao mesmo tempo estabelecendo limites para a quantidade de material invisível, como matéria escura ou ainda buracos negros menores, que poderiam estar orbitando o buraco negro no coração da nossa galáxia.

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    Tags:
    Teoria da Relatividade, Albert Einstein, estrelas, buraco negro
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