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    Atividade humana gera vibrações que afetam medições sísmicas. Quarentenas reduzem interferências, permitindo que sismólogos e geólogos coletem dados mais precisos da crosta terrestre.

    O abrandamento da vida humana pelo confinamento, em resultado da pandemia do novo coronavírus, pode ter feito com que a Terra se mova menos do que o normal.

    Segundo artigo publicado na revista Nature, o Observatório Real da Bélgica registrou uma diminuição do ruído sísmico de 30% a 50%.

    Ruído sísmico é definido como uma vibração relativamente persistente na superfície terrestre. Embora muitos acontecimentos naturais, como terremotos, provoquem deslocamento da crosta terrestre, estas não são as únicas causas, podendo certas atividades humanas também provocá-las.

    Esta situação, causada em grande parte pela diminuição do fluxo de transportes (caminhões, trens e automóveis), bem como pela pausa no funcionamento de máquinas e unidades industriais, permitiu aos peritos recolher dados novos e mais precisos, uma vez que sem estes ruídos a capacidade de detectar outros sinais aumenta substancialmente.

    Graças ao confinamento, sismos de menor intensidade foram mais nitidamente registrados, e melhorou o monitoramento da atividade vulcânica.

    O fenômeno da redução de ruído permitirá "extrair um pouco mais de informação destes acontecimentos", afirmou à Nature Andy Frassetto, membro de uma instituição de pesquisa sismológica em Washington, que acrescentou que se os confinamentos continuarem nos próximos meses, a detecção de sismos secundários será mais precisa que o habitual.

    As estações sísmicas são normalmente instaladas fora das zonas urbanas, onde há menos ruído humano, o que facilita a detecção de vibrações subtis no solo.

    A de Bruxelas, porém, foi construída há mais de um século e, desde então, a cidade vem se expandindo à sua volta. A atual política de quarentena teve, por isso, um efeito particularmente interessante na capital belga.

    Queda incomum

    Cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos têm notado uma tendência semelhante em outros locais.

    Stephen Hicks, do Colégio Imperial da capital britânica, compartilhou no Twitter, no final de março, dados de um sismógrafo que captou a redução significativa do nível médio de ruído sísmico próximo de uma rodovia britânica, após as aplicações de restrições no Reino Unido.

    Por sua vez, Celeste Labedz, doutoranda em geofísica no Instituto de Tecnologia da Califórnia, comentou a publicação de Hicks para assinalar um registro sísmico semelhante em uma estação de monitoramento em Los Angeles durante o mês de fevereiro.

    "A queda [do ruído sísmico] é realmente incomum", escreveu a geofísica.

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    terremoto, planeta, superfície, Terra, pandemia, novo coronavírus
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