02:34 05 Agosto 2020
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    160
    Nos siga no

    A maior pesquisa do tipo na história do México se iniciou há quatros anos para explorar o que hoje é conhecido como o Grande Aquífero Maia, tendo direito a descobertas inusitadas.

    "Sabíamos que havia um aquífero natural abaixo da península que inclui os estados mexicanos de Yucatán, Campeche e Quintana Roo, mas uma das missões foi caracterizá-lo primeiro com um nome, e as descobertas que fizemos são que sua extensão é muito maior do que pensávamos, milhares de quilômetros de cavernas inundadas com água doce", disse Guillermo de Anda, diretor do projeto Grande Aquífero Maia (GAM), ao El Universal.

    O pesquisador ressalta que encontraram a conexão de dois grandes sistemas de cavernas de 379 quilômetros, tornando-se esta a maior caverna inundada do mundo.

    A missão sobre a cultura maia também revelou um grande número de sítios arqueológicos submersos com vestígios da cultura maia e até mesmo da época colonial.

    ​O Grande Aquífero Maia, a maior pesquisa submarina da história do México

    "Dentro dessa grande extensão, encontramos um grande número de sítios arqueológicos, ou seja, há evidências que indicam que é o maior sítio arqueológico submerso do mundo, pois há uma grande quantidade de objetos e ossos, temos vestígios do Pleistoceno, animais extintos, cerca de 12 vestígios de primeiros homens da península, em uma área onde eles eram considerados inexistentes, e isso é uma grande notícia", comentou diretor do projeto.

    O projeto, que não recebe orçamento do governo e conta com ajuda de pesquisadores e voluntários, teve inicialmente seu foco na arqueologia, mas, à medida que avançava, tornou-se necessário abri-lo a outras disciplinas.

    ​"Quando vi a extensão e quantidade de material arqueológico, percebi que era difícil chegar a interpretações apenas da arqueologia, então foram acrescentados hidrogeólogos, biólogos e comunicólogos para tentar entender e interpretar este complexo aquífero", explica o explorador da National Geographic.

    Riscos urbanos ao aquífero

    A área que compreende o Grande Aquífero Maia está sob ameaça de crescimento urbano, principalmente por causa do turismo na área, com resorts e parques turísticos, e o Trem Maia, que atravessará vários estados, podendo afetar o aquífero.

    "O principal perigo que enfrenta é, precisamente, o excessivo desenvolvimento urbano e sem cuidar da ecologia ou da arqueologia. Por outro lado, esses parques turísticos, que são muito bons porque atraem visitantes, estão sendo feitos de forma muito pouco planejada em termos de cuidado ambiental, não vão comprometer o aquífero, eles já o colocam em risco há algum tempo", observa o pesquisador.

    ​Rede de sítios arqueológicos submersos e restos encontrados no Grande Aquífero Maia

    Para os membros do projeto do Grande Aquífero Maia é fundamental transmitir a importância de seu valor à população, "porque é daí que pode vir a grande força que cuida de tudo isso".

    Fonte vital

    O aquífero da península de Yucatán é um dos maiores e mais complexos do mundo, um conector de ecossistemas em risco, uma fonte vital para as pessoas da área e um preservador e recipiente de material arqueológico e paleontológico.

    "Achamos que é um aquífero de milhares de quilômetros, além do material arqueológico e geológico, estamos entendendo melhor a conformação da península, estamos encontrando evidências dos organismos vivos mais antigos da Terra", destaca o especialista.

    "Cuidar, compreender, pesquisar e, sobretudo, preservar o Grande Aquífero Maia é o objetivo deste projeto", salienta o arqueólogo. "É a base da vida na península."

    Mais:

    Caverna encontrada na Espanha seria sinal assustador do aumento do nível do mar
    Conspiracionista mostra algo muito parecido com vulcão subaquático perto dos EUA (VÍDEO)
    Pesquisadores desvendam natureza do 'barulho' misterioso de vulcão subaquático
    Tags:
    povo maia, maias, aquífero, México, caverna, gruta
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar