19:31 16 Setembro 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    4108
    Nos siga no

    Presidente do TSE faz discurso duro após afirmações do chefe do Executivo durante atos do dia 7 e chama Bolsonaro de "farsante". Para Barroso, "democracia só não tem lugar para quem pretende destruí-la".

    Após as declarações do presidente, Jair Bolsonaro, nos atos do dia 7 de setembro, órgãos e políticos brasileiros começaram a responder às afirmações do chefe de Estado.

    Ontem (8), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, fez pronunciamento em rede nacional. Mais tarde, foi a vez do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.

    Hoje (9), quem se posicionou foi o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso.

    ​Em videoconferência transmitida ao vivo, com a presença do ministro Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, Barroso abriu a sessão com duro discurso para rebater as acusações de Bolsonaro contra o sistema eleitoral, além dos ataques pessoais a ele dirigidos pelo mandatário.

    "Todos sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história. Quando fracasso bate à porta, é preciso encontrar culpados", declarou Barroso.

    O ministro também disse que "o populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco. Pode ser o comunismo, pode ser a imprensa, podem ser os tribunais".

    Em outro momento, o presidente do TSE afirmou que a "democracia só não tem lugar para quem pretende destruí-la".

    "Começa a ficar cansativo para o Brasil ter que repetidamente desmentir falsidades, para que não sejamos dominados pela pós-verdade, pelos fatos alternativos, para que a repetição da mentira não crie a impressão de que ela é verdade. […] Insulto não é argumento, ofensa não é coragem."

    Ao mesmo tempo, o ministro disse que a "marca" Brasil sofre, neste momento, "uma desvalorização global" e que o país é, atualmente, "alvo de chacota e desprestígio no exterior".

    "Não é só o real que está desvalorizando. Somos vítima de chacota e de desprezo mundial. Um desprestígio maior do que a inflação, do que o desemprego, do que a queda de renda, do que a alta do dólar, do que a queda da Bolsa, do que desmatamento da Amazônia, do número de mortos pela pandemia, do que a fuga de cérebros e de investimentos", disse Barroso.

    Bolsonaro participou de dois atos no dia 7, em Brasília e em São Paulo, nos quais apoiadores do governo defenderam pautas antidemocráticas, entre elas o fechamento do Congresso e do STF.

    Presidente Jair Bolsonaro discursa durante manifestação a favor do governo e contra o Supremo Tribunal Federal, em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, 7 de setembro de 2021
    © REUTERS / Alan Santos/Presidência do Brasil/HANDOUT
    Presidente Jair Bolsonaro discursa durante manifestação a favor do governo e contra o Supremo Tribunal Federal, em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, 7 de setembro de 2021

    O mandatário também voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro, outros integrantes do STF e governadores e prefeitos que tomaram medidas de combate ao coronavírus além de ter chamado Alexandre de Moraes de canalha.

    Mais:

    Barroso teve reunião secreta com Mourão em casa para saber se Forças Armadas apoiam golpe, diz mídia
    Bolsonaro admite chumbo de proposta de voto impresso e acusa Barroso de 'apavorar' oposição
    Moraes nega pedido de Eduardo Bolsonaro para investigar Barroso no âmbito do inquérito das fake news
    Tags:
    Luís Roberto Barroso, TSE, 7 de setembro, Judiciário
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar