18:31 20 Setembro 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    23016
    Nos siga no

    O discurso de Fux ocorre no dia seguinte ao discurso do presidente que durante atos em favor do governo fez ameaças golpistas e afirmou que não vai mais cumprir decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes.

    Em discurso na abertura da sessão do plenário desta quarta-feira (8), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, afirmou que "ninguém fechará" o STF e que o desprezo a decisões judiciais por parte de chefe de qualquer poder configura crime de responsabilidade.

    "Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer [um] dos Poderes, essa atitude, além de representar atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional", afirmou Fux, citado pela Folha de S. Paulo.

    O discurso de Fux ocorre no dia seguinte ao discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que, na terça-feira (7), durante atos em favor do governo e com ataques ao STF, fez ameaças golpistas e afirmou que não vai mais cumprir decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes.

    Presidente brasileiro Jair Bolsonaro festejando com seus apoiadores Dia da Independência, em 7 de setembro de 2021
    © AP Photo / Eraldo Peres
    Presidente brasileiro Jair Bolsonaro festejando com seus apoiadores Dia da Independência, em 7 de setembro de 2021
    "Ofender a honra dos ministros, incitar a população a propagar discursos de ódio contra a instituição do STF e incentivar o descumprimento de decisões judiciais são práticas antidemocráticas, ilícitas e intoleráveis, que não podemos tolerar em respeito ao juramento constitucional que fizemos ao assumir uma cadeira na Corte", acrescentou Fux.

    Alexandre de Moraes é responsável pelo inquérito que investiga o financiamento e organização de atos contra as instituições e a democracia. Bolsonaro e alguns de seus aliados são investigados no inquérito e o ministro do STF chegou a determinar a prisão de apoiadores do presidente.

    Segundo o presidente do Supremo, o tribunal não aceitará ameaças: "Imbuído desse espírito democrático e de vigor institucional, este STF jamais aceitará ameaças à sua independência nem intimidações ao exercício regular de suas funções", disse.

    Hora de acabar com 'escalada'

    Horas antes do discurso de Fux, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), realizou discurso em rede nacional afirmando que o Brasil tem "compromisso inadiável" com as urnas eletrônicas ano que vem.

    "O único compromisso inadiável e inquestionável está marcado para 3 de outubro de 2022, com as urnas eletrônicas. São as cabines eleitorais, com sigilo e segurança, em que o povo expressa sua soberania. Que até lá tenhamos todos serenidade e respeito às leis", afirmou Lira.

    O voto impresso é uma das bandeiras do presidente Bolsonaro. Dias após a proposta do voto impresso ter sido derrotada e arquivada na Câmara dos Deputados, Bolsonaro voltou a afirmar que a eleição de 2022 não será confiável.

    Mais:

    Bolsonaro diz que ato do dia 7 de setembro será 'ultimato' para ministros do STF
    Grupos bolsonaristas mantêm 9 contas bancárias para financiar atos antidemocráticos, diz mídia
    Na véspera de manifestações, Bolsonaro assina MP que limita eliminação de conteúdo das redes sociais
    'Não há clima para impeachment', diz Mourão, entretanto, Bolsonaro se reúne com ministros sem vice
    Tags:
    Jair Bolsonaro, governo bolsonaro, Luiz Fux, Supremo Tribunal Federal, Supremo Tribunal Federal (STF), ato, manifestação, manifestação, manifestações, manifestações, crime de responsabilidade, Alexandre de Moraes
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar